Habiba deveria receber as vacinas dos dois meses no sábado. Em vez disso, sua família lamentou sua morte e a de Aseel, de sete meses, após um incêndio atingir a tenda onde seus familiares estavam reunidos no sul da Faixa de Gaza, informa a Agência Anadolu.
A visita da família a al-Mawasi, a oeste de Khan Younis, terminou em uma tentativa desesperada de salvar as duas bebês, quando as chamas começaram na tarde de sexta-feira.
As duas sofreram queimaduras graves e foram internadas na unidade de terapia intensiva. Elas morreram na manhã de sábado.
O Complexo Médico Nasser identificou as vítimas como Habiba Mohammed Zanoun, de dois meses, e Aseel Abu Suhayban, de sete meses.
Fontes disseram à Agência Anadolu que o incêndio começou enquanto alimentos eram preparados dentro da tenda. Segundo elas, a grave escassez de gás de cozinha e de suprimentos básicos, provocada pelo bloqueio israelense, obrigou famílias deslocadas a preparar refeições em fogueiras improvisadas.
“Por que tudo isso está acontecendo conosco?”
A avó das meninas, que não quis se identificar, disse à Agência Anadolu que sua filha havia ido visitar a família na tenda quando o incêndio começou repentinamente.
Habiba era filha de sua filha, contou. A bebê morreu justamente no dia em que deveria receber as vacinas previstas para os dois meses de idade.
A mãe de Aseel correu para tentar salvar a filha e sofreu queimaduras. Ela também foi levada ao hospital.
A avó afirmou que nenhuma das duas bebês conseguiu sobreviver à gravidade dos ferimentos.
“Por que tudo isso está acontecendo conosco?”, perguntou. “Todos os dias há acidentes, bombardeios e incêndios, e as pessoas estão morrendo de tantas maneiras.”
“Há três anos vivemos assim, em meio ao deslocamento, à angústia e à dor.”
Cozinhar sem alternativas seguras
O incêndio foi um dos três registrados na sexta-feira em tendas de famílias deslocadas no centro e no sul de Gaza, segundo fontes.
Com a escassez de gás de cozinha, as famílias passaram a recorrer a fogueiras improvisadas para preparar alimentos. Em abrigos superlotados, construídos com materiais inflamáveis, uma necessidade cotidiana pode colocar vidas em risco.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) alertou em junho que cozinhar dentro de tendas de deslocados era uma das principais causas de incêndios.
Cobertores, tecidos velhos, papelão e lonas plásticas usados para reforçar os abrigos permitem que as chamas se espalhem rapidamente e dificultam o controle do fogo, informou o órgão.
Os incêndios são um dos vários perigos enfrentados por famílias que vivem em tendas deterioradas e que oferecem pouca proteção contra as condições climáticas.
O OCHA também informou que as autoridades israelenses impediram, em 26 de agosto e 2 de setembro, a entrada de uma remessa previamente aprovada pelo corredor egípcio, que continha 36.960 peças de madeira e 660 kits de abrigo emergencial.
O Escritório de Imprensa do Governo de Gaza havia informado anteriormente que mais de 800 mil palestinos deslocados viviam em tendas inadequadas para a habitação humana. O órgão estimou que 162 mil das 270 mil tendas utilizadas para abrigar deslocados em Gaza precisavam ser substituídas imediatamente.
A avó, que lamenta a perda de duas netas, fez um apelo ao mundo para que volte sua atenção às famílias deslocadas de Gaza e ajude a pôr fim ao sofrimento delas.
![Familiares lamentam a morte de Habiba Zannoun, de dois meses, e Aysal Abu Suhaiban, de sete meses, que perderam a vida em um incêndio em uma tenda que abrigava pessoas deslocadas na região de Mawasi, na cidade de Khan Younis, na Faixa de Gaza, Palestina, em 31 de outubro de 2026. [Abed Rahim Khatib – Agência Anadolu]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/11/AA-20261031-42923042-42923028-TWO_PALESTINIAN_INFANTS_DIE_IN_TENT_FIRE_IN_GAZA-scaled-e1793533928294.webp)