Israel vai às urnas nesta terça-feira em eleição acirrada, com Netanyahu sob pressão de Eisenkot

1 hora ago

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Cartazes do ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses e líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot (à direita), e do primeiro-ministro e líder do Likud, Benjamin Netanyahu (à esquerda), são vistos em Tel Aviv, em 25 de outubro de 2026, durante a intensificação das campanhas eleitorais, dois dias antes da votação. Cartazes dos candidatos estão expostos em outdoors e edifícios pelas ruas da cidade, antes das eleições para o Knesset, marcadas para 27 de outubro. [Nir Keidar – Anadolu Agency]

Os israelenses vão às urnas nesta terça-feira em uma eleição parlamentar acirrada que pode encerrar o longo domínio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou deixar o país diante de mais um impasse político. As pesquisas indicam que nenhum dos principais blocos deverá conquistar maioria suficiente para formar um governo, informa a Anadolu.

A votação será a primeira eleição geral em Israel desde os ataques de 7 de outubro de 2023 e a subsequente ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, além dos confrontos militares com o Líbano e o Irã.

Também será a primeira eleição geral israelense realizada dentro do calendário previsto desde 1988, após décadas em que sucessivos governos entraram em colapso antes de completar seus mandatos de quatro anos.

Cerca de 7,3 milhões de pessoas estão aptas a votar, incluindo aproximadamente 1,2 milhão de cidadãos palestinos de Israel.

A votação ocorrerá em 12.018 seções eleitorais, com cerca de 18 mil urnas distribuídas por todo o país.

A maioria das seções abrirá às 7h (5h GMT) e fechará às 22h (20h GMT). O dia da eleição é feriado nacional.

Trinta e sete partidos e listas eleitorais disputam vagas no Knesset, o Parlamento israelense, composto por 120 membros. Para formar um governo, uma coalizão precisa do apoio de pelo menos 61 parlamentares.

No sistema de representação proporcional de Israel, os eleitores votam em partidos, e não em candidatos individuais. Para entrar no Parlamento, os partidos precisam obter pelo menos 3,25% dos votos válidos.

Nenhum partido jamais conquistou sozinho a maioria absoluta no Knesset, o que torna decisivas as negociações para a formação de coalizões.

Partido de Eisenkot lidera as pesquisas finais

As últimas pesquisas divulgadas pelas três principais emissoras de televisão israelenses colocam o partido centrista Yashar, do ex-chefe militar Gadi Eisenkot, ligeiramente à frente do Likud, de Netanyahu.

A projeção é que o Yashar conquiste entre 22 e 23 cadeiras, contra 19 a 21 do Likud.

A aliança B’Yachad, ou Juntos, liderada pelos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, aparece em terceiro lugar, com uma projeção de 14 ou 15 cadeiras.

Outros partidos da oposição incluem os Democratas, liderados pelo ex-general Yair Golan, e o Yisrael Beytenu, do ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman.

As três pesquisas projetam que o bloco de direita e religioso de Netanyahu conquiste 50 cadeiras, enquanto o bloco de oposição deverá obter entre 52 e 56.

A previsão é que os partidos liderados por palestinos conquistem, juntos, entre 14 e 16 cadeiras.

Os números indicam que nem Netanyahu nem Eisenkot têm um caminho claro para alcançar a maioria de 61 cadeiras necessária para formar um governo.

Conquistar o maior número de cadeiras não determina automaticamente quem se tornará primeiro-ministro.

O presidente Isaac Herzog consultará os partidos eleitos antes de encarregar o parlamentar considerado mais capaz de reunir uma maioria no Parlamento de formar o governo.

Netanyahu luta pela sobrevivência política

Netanyahu, de 77 anos, busca outro mandato após ter exercido o cargo de primeiro-ministro por mais de 18 anos, distribuídos por três períodos distintos.

Sua campanha tem se concentrado fortemente na segurança nacional, apresentando sua experiência e suas políticas militares como essenciais para enfrentar as ameaças regionais.

No entanto, ele enfrenta críticas pelo fracasso de seu governo em impedir os ataques de 7 de outubro, pela condução dos conflitos posteriores e pela oposição à criação de uma comissão estatal independente para investigar as falhas de segurança.

Netanyahu também responde a um julgamento por corrupção, acusações que nega, e é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza.

Entre seus possíveis parceiros de coalizão estão partidos de extrema direita liderados pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, além dos partidos ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá.

Ben-Gvir e Smotrich defendem a expansão dos assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, rejeitam a criação de um Estado palestino e incentivam os palestinos a deixar Gaza.

Enquanto isso, os partidos ultraortodoxos enfrentam críticas crescentes por exigirem a manutenção das isenções do serviço militar para estudantes religiosos, em um momento em que as Forças Armadas israelenses enfrentam escassez de pessoal após anos de conflitos.

Eisenkot promete mudança de liderança, mas sem grandes alterações na área de segurança

Eisenkot, de 66 anos, comandou as Forças Armadas israelenses entre 2015 e 2019 e integrou o governo de emergência de Netanyahu após os ataques de 7 de outubro.

Posteriormente, deixou o governo após criticar a condução da ofensiva em Gaza por Netanyahu e a ausência de uma estratégia política clara.

Seu filho foi morto enquanto servia nas Forças Armadas israelenses em Gaza, em dezembro de 2023.

Eisenkot tem feito campanha em defesa da responsabilização do governo, da estabilidade política e da recuperação da confiança pública nas instituições estatais.

Ele apoia a criação de uma comissão oficial de investigação sobre as falhas de segurança de 7 de outubro e o fim das isenções amplas do serviço militar concedidas a homens ultraortodoxos.

Apesar de se apresentar como uma alternativa a Netanyahu, Eisenkot mantém posições semelhantes às do atual primeiro-ministro em várias questões importantes de segurança.

Ele se opõe à criação de um Estado palestino plenamente soberano nas condições atuais e afirma que as capacidades militares do Hamas e seu governo em Gaza devem ser desmantelados.

Assim, a eleição coloca os eleitores diante de diferentes propostas para a liderança do país, a governança, a independência judicial e as relações com os partidos de extrema direita, embora os dois principais candidatos compartilhem posições sobre questões centrais de segurança.

Partidos árabes podem decidir o equilíbrio de forças

A Lista Conjunta e o Ra’am, os principais partidos que representam os cidadãos palestinos de Israel, podem desempenhar um papel decisivo caso nenhum dos grandes blocos alcance as 61 cadeiras necessárias.

As pesquisas projetam cerca de nove cadeiras para a Lista Conjunta e entre cinco e sete para o Ra’am.

Um governo liderado por Eisenkot poderia depender do apoio de um ou dos dois partidos liderados por palestinos, seja por meio de participação formal na coalizão, seja por apoio parlamentar externo.

Esse tipo de acordo enfrentaria obstáculos políticos.

Lieberman rejeitou a possibilidade de integrar um governo dependente de partidos liderados por palestinos, enquanto outras figuras da oposição têm evitado assumir compromissos com esse tipo de entendimento.

Netanyahu tem mencionado repetidamente a possibilidade de partidos liderados por palestinos influenciarem o próximo governo, numa tentativa de mobilizar os eleitores de direita.

Cenários para a coalizão e possibilidade de impasse

Vários desfechos são possíveis após a votação desta terça-feira.

Netanyahu poderá formar outro governo se seu bloco conquistar cadeiras adicionais suficientes ou atrair parlamentares de fora de sua aliança atual.

Uma coalizão liderada por Eisenkot provavelmente dependeria de um acordo com partidos liderados por palestinos, da adesão de parlamentares de outros campos políticos ou de difíceis concessões entre líderes da oposição com posições ideológicas divergentes.

Um governo de união nacional envolvendo o Likud e os principais partidos da oposição também é uma possibilidade, embora Eisenkot e vários aliados tenham descartado participar de um governo liderado por Netanyahu.

Se nenhum dos lados conseguir reunir uma maioria, Netanyahu poderá permanecer como primeiro-ministro interino durante negociações prolongadas para a formação de uma coalizão, o que poderá levar a uma nova eleição.

O desempenho dos partidos menores que aparecem próximos à cláusula de barreira eleitoral de 3,25% poderá ser decisivo. Os partidos que não atingirem esse percentual não conquistarão cadeiras, o que poderá enfraquecer seus aliados políticos e alterar o equilíbrio de forças entre os blocos concorrentes.

As pesquisas de boca de urna são esperadas logo após o encerramento da votação, às 22h desta terça-feira, no horário local.

Os primeiros resultados oficiais começarão a ser divulgados durante a noite, embora a contagem dos votos de militares, pacientes em hospitais, presos e outros grupos que utilizam modalidades especiais de votação possa levar vários dias.

A divulgação dos resultados oficiais está prevista para até 4 de novembro. Depois disso, as negociações para a formação de uma coalizão poderão se estender por semanas.

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