O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou na quinta-feira que está trabalhando pessoalmente para facilitar a saída de palestinos da Faixa de Gaza e mantém conversas com países que poderiam recebê-los. Ao mesmo tempo, reafirmou a intenção de Israel de manter o controle militar sobre mais de 60% do território.
Em entrevista ao veículo israelense de direita Channel 7, antes das eleições para o Knesset, o Parlamento israelense, previstas para 27 de outubro, Netanyahu disse que seu governo está explorando ativamente medidas para permitir que palestinos deixem Gaza.
“Todo palestino em Gaza deveria ter a liberdade de partir”, afirmou Netanyahu, apontando como principal obstáculo a busca por países dispostos a recebê-los.
“Estamos trabalhando nisso; eu pessoalmente estou me dedicando bastante a essa questão. Há alguns avanços iniciais, embora eu não queira entrar em detalhes”, acrescentou.
Netanyahu não identificou os países envolvidos nas conversas nem forneceu informações sobre o andamento das negociações. Também não indicou se algum país concordou em receber palestinos de Gaza.
O primeiro-ministro israelense afirmou que aproximadamente 150 mil palestinos deixaram Gaza durante a guerra e sugeriu que pelo menos 60% da população do território partiria se tivesse a oportunidade.
No entanto, ele não apresentou dados que sustentassem essas estimativas.
Netanyahu também reiterou que Israel pretende manter o controle militar sobre mais de 60% da Faixa de Gaza, sinalizando que seu governo não planeja se retirar das áreas atualmente ocupadas pelas forças israelenses.
Suas declarações ocorrem após propostas anteriores de integrantes do governo israelense para transferir palestinos para fora de Gaza, planos que enfrentaram forte oposição de lideranças palestinas e governos árabes.
Críticos alertam que essas iniciativas podem levar ao deslocamento permanente dos palestinos, especialmente diante da destruição generalizada de moradias, infraestrutura e serviços essenciais durante a ofensiva militar israelense iniciada em outubro de 2023.
As propostas também despertaram preocupações de que as graves condições humanitárias em Gaza possam comprometer a capacidade dos palestinos de tomar decisões genuinamente voluntárias sobre deixar o território.
![O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, faz um discurso em Jerusalém, em 16 de outubro de 2025. [Alex KOLOMOISKY / POOL / AFP via Getty Images]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/10/GettyImages-2240957624.webp)