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UNICEF afirma que 60 mil crianças em Gaza perderam um ou ambos os pais durante a guerra

19 de outubro de 2026, às 10h26

Familiares choram diante dos corpos de palestinos mortos em um ataque de drone israelense contra um café à beira-mar, na área portuária a oeste da Cidade de Gaza. O funeral ocorreu no Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza, Palestina, em 19 de agosto de 2026. [Ali Jadallah – Anadolu Agency]

Cerca de 60 mil crianças na Faixa de Gaza perderam um ou ambos os pais durante a guerra, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que alertou para as consequências psicológicas e humanitárias duradouras para as crianças afetadas pelo conflito.

Durante uma coletiva de imprensa no Palais des Nations, em Genebra, o responsável pela comunicação e porta-voz adjunto do UNICEF, Riccardo Pires, afirmou que cerca de 800 mil crianças continuam deslocadas, a maioria vivendo em tendas ou edifícios danificados considerados inseguros.

Pires afirmou que quase todas as crianças deslocadas precisam de algum tipo de apoio à saúde mental e de assistência psicossocial para ajudá-las a lidar com os traumas da guerra.

Ele também informou que mais de 340 crianças foram mortas e centenas ficaram feridas em Gaza desde que o cessar-fogo foi declarado, em outubro de 2025.

O representante do UNICEF alertou que a superlotação nas áreas de deslocamento, a falta de saneamento adequado e a deterioração das condições de vida continuam expondo crianças e suas famílias a graves riscos à saúde e à segurança, especialmente com a aproximação do inverno.

Apesar desses desafios, Pires afirmou que o cessar-fogo permitiu ampliar a entrada de ajuda humanitária e de suprimentos comerciais, contribuindo para melhorias na segurança alimentar.

Ele também destacou avanços na retomada do acesso à educação, informando que mais de 560 mil crianças voltaram a estudar, incluindo aquelas que frequentam aulas em mais de 200 centros de aprendizagem apoiados pelo UNICEF.

No entanto, Pires manifestou preocupação com a deterioração da infraestrutura de saneamento de Gaza e alertou que as seis estações de tratamento de águas residuais continuam fora de operação.

Como resultado, afirmou, grande parte do esgoto não tratado do território é despejada diretamente no mar, gerando riscos adicionais ao meio ambiente e à saúde pública.

O UNICEF ressaltou que o deslocamento contínuo, a infraestrutura danificada e a aproximação do inverno ameaçam agravar a crise humanitária enfrentada pelas crianças de Gaza, apesar dos avanços na entrada de ajuda e no acesso à educação.