O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado confirmou 1.076 mortes de palestinos na Faixa de Gaza entre outubro de 2025 e o final de julho de 2026, alertando que a continuidade dos ataques israelenses durante o período de cessar-fogo levanta sérias preocupações sobre possíveis crimes de guerra.
Em um relatório divulgado na segunda-feira, o escritório informou que fontes médicas palestinas haviam registrado mais de 1.400 mortes desde o anúncio do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025.
Das 1.076 mortes verificadas pelo escritório da ONU, 268 eram de crianças e 126 de mulheres, representando, juntas, aproximadamente 37% do total.
O relatório também observou que mais de 20 mil crianças foram mortas em Gaza desde 7 de outubro de 2023. O documento indicou que a proporção de mortes de civis pode ser superior à sugerida pelos números disponíveis, uma vez que a discriminação dos dados não contabiliza os homens civis entre os mortos.
Ajith Sunghay, chefe do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado, descreveu como estarrecedora a continuidade das violações durante um período que deveria ser de cessar-fogo.
Ele alertou que os palestinos estão sendo submetidos a ataques em áreas cada vez mais restritas, em meio à presença contínua das forças israelenses e às dificuldades de acesso a suprimentos e serviços essenciais.
Segundo o relatório, as forças israelenses controlavam aproximadamente 53% do território de Gaza quando o cessar-fogo foi anunciado, com planos de ampliar seu posicionamento para cerca de 70% da Faixa.
O monitoramento da ONU também constatou que os limites da chamada Linha Amarela, que demarca as áreas de posicionamento militar israelense, não eram fixos nem estavam claramente definidos. O relatório documentou a continuidade das incursões militares israelenses e dos avanços para áreas residenciais.
Entre outubro de 2025 e julho de 2026, o escritório confirmou 331 mortes de palestinos nas proximidades da Linha Amarela, incluindo 66 crianças e 27 mulheres.
O escritório da ONU ressaltou que atacar deliberadamente civis que não participam diretamente das hostilidades pode constituir um crime de guerra, independentemente de sua localização.
![Legenda da foto: Pessoas enlutadas carregam o corpo de um palestino morto em ataques do Exército israelense durante o cortejo fúnebre no Hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, em 12 de outubro de 2026. [Abed Rahim Khatib – Anadolu Agency]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/10/AA-20261012-42730172-42730165-FUNERAL_FOR_5_PALESTINIANS_KILLED_IN_ISRAELI_ATTACKS_ON_GAZA.webp)