Israel demole 80 casas em aldeia palestina no Negev e desloca cerca de 400 pessoas

3 horas ago

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Legenda da foto: Forças de segurança israelenses demoliram edifícios e uma mesquita na aldeia beduína de Umm al-Hiran, onde foi emitida uma ordem de evacuação e demolição para a construção de assentamentos israelenses, na região do Negev, em Israel, em 14 de novembro de 2024. [Mostafa Alkharouf/Anadolu Agency]

As autoridades israelenses demoliram cerca de 80 casas na aldeia palestina de Al-Dhahiya, na região do Negev, no sul de Israel, na segunda-feira, deslocando aproximadamente 400 pessoas. A ação ocorre em meio a acusações de que o ministro extremista da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, está utilizando as demolições de residências como parte de sua campanha eleitoral.

A emissora pública israelense KAN informou que equipes da Autoridade de Terras de Israel, acompanhadas por forças policiais reforçadas subordinadas ao ministério de Ben-Gvir, demoliram cerca de 80 casas em Al-Dhahiya, uma aldeia não reconhecida ao norte da cidade de Rahat, sob a alegação de que haviam sido “construídas sem licenças”.

Segundo a emissora, as demolições ocorreram depois que o Tribunal Distrital de Beersheba rejeitou, no domingo, uma petição que solicitava o adiamento da operação. Cerca de 400 pessoas viviam nas casas demolidas.

Nas últimas semanas, Ben-Gvir tem destacado publicamente a demolição de centenas de casas pertencentes a cidadãos palestinos de Israel, também chamados de árabes israelenses, sob a alegação de que foram construídas sem as devidas licenças.

Na terça-feira passada, Ben-Gvir participou da demolição de um edifício de cinco andares que abrigava 70 palestinos no bairro de At-Tur, na Jerusalém Oriental ocupada. O Governo da Província de Jerusalém descreveu a ação como uma “exploração eleitoral de Jerusalém às custas dos palestinos”.

A Lista Conjunta, uma aliança de três partidos árabes, condenou as demolições, classificando-as como “um ataque flagrante aos direitos humanos e nacionais mais básicos de nosso povo”.

“As demolições dão continuidade às políticas dos sucessivos governos israelenses de demolir, desenraizar e deslocar os moradores das aldeias árabes do Negev”, afirmou a aliança.

Hassan al-Nasasra, vice-prefeito de Rahat, também condenou as demolições.

“As demolições não representam, de forma alguma, a aplicação da lei, mas são apenas propaganda eleitoral para o racista Ben-Gvir e seu grupo”, declarou em comunicado.

A KAN também informou que Mansour Abbas, líder da Lista Árabe Unida, enviou uma carta urgente à procuradora-geral Gali Baharav-Miara, exigindo a suspensão imediata das ordens de demolição de residências até o fim das eleições e a formação de um novo governo.

As eleições gerais em Israel estão marcadas para 27 de outubro.

Abbas alertou contra o uso das demolições de casas para “fins políticos e eleitorais”, afirmando que Ben-Gvir havia se gabado publicamente de participar das demolições, “de uma forma que compromete a integridade das eleições e a neutralidade dos órgãos responsáveis pela aplicação da lei”.

“Os moradores das aldeias não reconhecidas do Negev não conseguem obter licenças de construção devido à falta de planejamento, cuja responsabilidade é do Estado”, afirmou, defendendo a suspensão total das demolições de casas habitadas nessas aldeias.

Dezenas de aldeias palestinas no Negev não são reconhecidas pelas autoridades israelenses, que consideram suas casas irregulares e não as conectam às redes de água, eletricidade ou estradas, nem oferecem escolas, clínicas e outros serviços básicos.

No ano passado, o jornal Yedioth Ahronoth informou que as ordens de demolição na região haviam aumentado em até 400% desde o início daquele ano. A informação provocou críticas de organizações israelenses de direitos humanos, que descreveram a campanha como “discriminatória” e voltada especificamente contra a comunidade beduína.

Os beduínos palestinos do Negev são tribos árabes que vivem na região há séculos e já estavam ali antes da criação de Israel, em 1948.

Israel foi estabelecido em 1948 em terras conquistadas por grupos armados sionistas e, em 1967, ocupou os territórios palestinos restantes, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

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