A Palestina saudou nesta sexta-feira a concessão do Prêmio Nobel da Paz de 2026 à jurista sul-africana Navi Pillay, afirmando que a honraria reconhece seus esforços para defender o direito internacional e documentar crimes israelenses, informa a Anadolu.
O Ministério das Relações Exteriores afirmou que a conquista de Pillay representa a valorização da “voz da verdade e da voz dos oprimidos”, além de reconhecer seus esforços para promover a paz e o direito internacional.
Segundo o ministério, Pillay dedicou sua carreira à defesa do Estado de Direito, da justiça e dos direitos das pessoas oprimidas na África do Sul e em todo o mundo, incluindo os palestinos.
O ministério elogiou sua liderança na Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, que ela presidiu de 2021 a 2025.
A pasta afirmou que a comissão contribuiu para documentar genocídio, violência sexual, ataques contra crianças e outras violações israelenses.
O ministério declarou que o prêmio também representa um reconhecimento aos defensores do direito internacional e da justiça, além de incentivar os esforços para responsabilizar os autores de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Acrescentou que Pillay tem defendido de forma consistente a universalidade do direito e a igualdade entre os povos, incluindo os palestinos, e afirmou que a premiação reforça que “não pode haver paz duradoura sem justiça e igualdade para todos”.
O Comitê Norueguês do Nobel anunciou que concedeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026 à jurista de 85 anos “por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”.
“Este ano, a laureada ampliou significativamente o alcance e o impacto do direito internacional”, afirmou o comitê, destacando seu trabalho em tribunais internacionais e como alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos.
Pillay nasceu em Durban, na África do Sul, durante o regime do apartheid, em uma família de origem tâmil indiana. Ela iniciou sua carreira jurídica contestando a discriminação racial e defendendo opositores do sistema de apartheid.
Ela atuou como alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, juíza do Tribunal Penal Internacional e presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Também exerceu a função de juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça.
Em um relatório de 2025, a comissão da ONU presidida por ela concluiu que Israel havia cometido genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza. Israel rejeitou essa conclusão.
O Prêmio Nobel da Paz será entregue em Oslo em 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel.
![Legenda da imagem: A alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, concede entrevista coletiva em 2 de dezembro de 2013, nos escritórios das Nações Unidas em Genebra. [FABRICE COFFRINI/AFP via Getty Images]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/10/GettyImages-453013599.webp)