Os partidos de oposição da Itália criticaram o governo nesta quarta-feira por não aderir ao grupo de países que impõem restrições ao comércio com assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia ocupada, segundo o jornal La Repubblica, informa a Anadolu.
O líder do Movimento Cinco Estrelas, Giuseppe Conte, pediu ao governo que “mostre um mínimo de dignidade” e apoie no Parlamento um projeto de lei da oposição para impor sanções aos assentamentos israelenses.
“Mostrem um mínimo de dignidade e aprovem nosso projeto de lei no Parlamento para avançarmos com as sanções”, disse Conte, criticando a decisão de Roma de não aderir à iniciativa.
A líder do Partido Democrático, Elly Schlein, também condenou a ausência da Itália, classificando-a como “vergonhosa” e acusando o governo de perder mais uma oportunidade de defender o direito internacional e evitar “dois pesos e duas medidas”.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, defendeu a decisão, afirmando que Roma quer que as medidas sejam adotadas no nível da União Europeia, em vez de por meio de iniciativas nacionais separadas.
“Nosso objetivo é uma decisão europeia”, disse Tajani, argumentando que uma abordagem comum da UE seria necessária para evitar distorções no mercado interno do bloco.
Ele também observou que o Reino Unido, que aderiu à iniciativa, não é mais membro da UE.
A Itália não estava entre os 12 países que anunciaram planos de impor restrições nacionais ao comércio de bens com assentamentos israelenses na Cisjordânia.
Os países são França, Reino Unido, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Islândia, Noruega, Polônia, Portugal, Suécia e Canadá.
Eles afirmaram que a situação na Cisjordânia estava se deteriorando rapidamente, citando o aumento da violência de colonos e a expansão dos assentamentos israelenses.
Os países pediram a Israel que interrompa a expansão dos assentamentos e se opuseram a ações que possam levar à anexação de terras palestinas ou ao deslocamento forçado de palestinos.
Itália, França e Alemanha também assinaram uma declaração conjunta em agosto condenando o projeto de assentamento E1, planejado entre Jerusalém Oriental e Maale Adumim, que, segundo críticos, dividiria a Cisjordânia e isolaria ainda mais Jerusalém Oriental.
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, descreveu o projeto E1 como um “prego no caixão” do estabelecimento de um Estado palestino.
![Ex-primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, fala à imprensa durante uma coletiva no Palazzo Chigi, em Roma, Itália, em 16 de maio de 2020. [Governo Italiano – Anadolu Agency]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/09/20200516_2_42478953_54999324-e1716302340636.webp)