O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, afirmou que seu partido, Otzma Yehudit, buscará criar um ministério governamental dedicado a promover o que ele chama de “emigração voluntária” de palestinos da Faixa de Gaza, caso o partido participe do próximo governo de Israel.
Ben-Gvir afirmou que seu partido exigiria o controle do ministério proposto, além da autoridade e do financiamento necessários para implementar a política. Ele argumentou que facilitar a saída de palestinos que desejam deixar Gaza beneficiaria tanto Israel quanto aqueles que buscam se mudar para o exterior.
A proposta faz parte de um plano apresentado por Ben-Gvir sob o nome “Desengajamento 710”. Segundo dados apresentados por seu partido, a iniciativa pretende facilitar a saída de aproximadamente 250 mil moradores de Gaza no primeiro ano, 1,11 milhão em três anos e cerca de 1,86 milhão em sete anos.
O Otzma Yehudit afirmou que o plano envolveria a criação de um ministério específico, a negociação de acordos com países dispostos a receber palestinos de Gaza e a oferta de assistência aos que deixarem o território, incluindo custos de viagem, moradia, formação profissional e emprego.
O partido apontou a Turquia, a Etiópia e a República Democrática do Congo, além de países árabes não especificados, como possíveis destinos. Nenhum dos países mencionados declarou publicamente ter concordado em participar de tal acordo.
Ben-Gvir classificou as saídas propostas como voluntárias. No entanto, propostas de deslocamento em massa de palestinos de Gaza têm sido alvo de críticas internacionais e levantado preocupações de que a transferência sob condições criadas pela guerra, pela destruição ou pela privação possa equivaler a deslocamento forçado.
O direito internacional humanitário proíbe a transferência forçada ou a deportação de civis protegidos de territórios ocupados, exceto em circunstâncias estritamente definidas. Os Estados Unidos também afirmaram anteriormente que se opõem ao deslocamento ou à expulsão forçada de palestinos de Gaza.
A proposta é uma iniciativa do partido Otzma Yehudit, de Ben-Gvir, e atualmente não constitui uma política oficial do governo israelense. Sua implementação exigiria aprovação política, além de acordos com países dispostos a receber os palestinos que deixarem Gaza.
![Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, durante uma coletiva de imprensa no Knesset, em Jerusalém, Israel, em 5 de fevereiro de 2024. [Kobi Wolf/Bloomberg via Getty Images]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/09/GettyImages-1980303935-scaled-e1713433439561.webp)