Cruz Vermelha alerta que milhares sob escombros em Gaza podem nunca ser identificados

3 horas ago

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As Izz ad-Din al-Qassam Brigades, o International Committee of the Red Cross e uma delegação egípcia realizam operações de busca para recuperar corpos na área designada como zona amarela, conforme os termos do acordo de cessar-fogo e troca de prisioneiros e reféns entre Israel e Hamas, em Beit Lahia, Gaza, em 30 de novembro de 2025. [Khames Alrefi – Anadolu Agency]

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alertou que milhares de palestinos que se acredita estarem enterrados sob os escombros de Gaza podem nunca ser identificados, enquanto os esforços de recuperação continuam enfrentando grandes obstáculos.

Segundo um relatório do jornal The Guardian, as operações de busca e recuperação seguem lentas apesar do frágil cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos que entrou em vigor em outubro. O passar do tempo aumenta o risco de que os restos mortais se deteriorem a ponto de não poderem mais ser reconhecidos.

“Não há dúvida de que esses corpos poderão em breve tornar-se difíceis de identificar”, afirmou Pat Griffiths, porta-voz da Cruz Vermelha em Jerusalém.

“Quanto mais tempo levar para recuperar os restos humanos, mais difícil será identificá-los. Quanto mais tempo os mortos permanecerem sob os escombros, maior a probabilidade de estarem em estágios avançados de decomposição — ou até reduzidos a esqueletos — quando forem finalmente recuperados.”

Ele acrescentou que os especialistas forenses acabam perdendo acesso a evidências circunstanciais que poderiam ajudar a confirmar a identidade das vítimas.

Os palestinos começaram a procurar desaparecidos entre cerca de 61 milhões de toneladas de escombros acumulados durante a guerra. Autoridades de saúde em Gaza estimam que pelo menos 10 mil pessoas continuam soterradas, enquanto alguns especialistas acreditam que o número possa chegar a 14 mil.

O jornal informou que as equipes de resgate têm utilizado principalmente ferramentas simples, como pás, picaretas, carrinhos de mão, ancinhos e enxadas, além das próprias mãos, para recuperar os corpos.

Pedidos repetidos para permitir a entrada de escavadeiras e outros equipamentos pesados necessários para acelerar os trabalhos de recuperação ainda não foram aprovados.

“As equipes de busca e recuperação precisam ter acesso a todos os locais onde se acredita que existam restos humanos”, afirmou Griffiths.

“Sabemos que grande parte dessas máquinas e equipamentos continua praticamente impossível de entrar em Gaza neste momento. Continuamos defendendo, em nosso diálogo direto com as autoridades competentes, que esses equipamentos sejam autorizados a entrar em Gaza.”

Autoridades israelenses contatadas pelo The Guardian afirmaram que não há autorização para a entrada de equipamentos utilizados na recuperação de corpos.

A Cruz Vermelha alertou que atrasos prolongados podem comprometer futuras identificações, já que as condições ambientais, o deslocamento dos restos mortais e a perda de pertences pessoais podem eliminar evidências forenses essenciais.

“Vemos a dimensão dessa tarefa e vemos o que está em jogo. Milhares de famílias ainda procuram respostas dessa forma. O que está em jogo é o direito delas de saber o destino de seus entes queridos”, concluiu Griffiths.

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