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Governo de Jerusalém condena plano de Israel de transformar complexo da UNRWA em instalação militar

18 de maio de 2026, às 05h09

Equipes da Autoridade de Terras de Israel, acompanhadas pela polícia israelense, demoliram estruturas na sede da UNRWA em Jerusalém em 20 de janeiro de 2026. [Mostafa Alkharouf – Agência Anadolu]

O Governo de Jerusalém descreveu no domingo a aprovação israelense para converter o antigo complexo da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) no bairro de Sheikh Jarrah em instalações militares israelenses como “uma escalada perigosa e uma grave violação do direito internacional”, relata a Anadolu.

Em comunicado, o governo de Jerusalém pediu ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que tome medidas urgentes para levar Israel ao Tribunal Internacional de Justiça caso o país não revogue as leis e medidas que visam a UNRWA.

No início do domingo, o governo israelense aprovou planos para estabelecer um escritório para o Ministro da Defesa, Israel Katz, um museu do exército israelense e um escritório de recrutamento militar no local do antigo complexo da UNRWA em Sheikh Jarrah, na Jerusalém Oriental ocupada.

Uma declaração conjunta do Ministério da Defesa de Israel e da prefeitura de Jerusalém afirmou que o ministério destinará 36 dunams (quase 8,9 acres) de terra para a construção de um novo museu do exército israelense e um “escritório de recrutamento avançado”.

O governo de Jerusalém declarou que a conversão do complexo da UNRWA em instalações militares israelenses constitui “uma grave violação das imunidades e privilégios das organizações das Nações Unidas”.

Acrescentou que a medida representa “uma grave violação do direito e das normas internacionais” e uma violação das obrigações de Israel “como potência ocupante”.

Segundo o governo local, o novo projeto de assentamento surge após a demolição do complexo da UNRWA em Sheikh Jarrah pelas autoridades israelenses em janeiro, sob a supervisão direta do Ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.

Acrescentou ainda que o plano de Katz destina aproximadamente 36 dunams ao Ministério da Defesa israelense sem licitação pública, alegando que o atual escritório de recrutamento em Jerusalém “não atende às necessidades do exército israelense”.

O governo local afirmou que o projeto reflete “uma política israelense crescente que visa impor mais realidades coloniais e judaizar o espaço público na Jerusalém ocupada”.

Acrescentou também que a criação de um museu para o que chamou de “patrimônio do exército israelense” representa “uma tentativa sistemática de reforçar a narrativa da ocupação e vincular sítios históricos palestinos à narrativa militar israelense”.