Processo na França acusa FedEx de cumplicidade com o genocídio em Gaza

Alex MacDonald
11 minutos ago

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Aeronave da transportadora FedEx em Las Vegas, Estados Unidos, em 19 de fevereiro de 2014 [Reprodução/Wikimedia]

Um grupo de campanha pró-Palestina na França entrou com uma ação legal contra a FedEx por “cumplicidade em genocídio” devido ao seu papel no transporte de componentes a aeronaves militares israelenses que operam em Gaza.

A União Judaica por Paz acusou, na terça-feira, 21 de abril, a subsidiária francesa da corporação americana de “ter facilitado o transporte, roteamento e entrega de componentes essenciais para caças dos Estados Unidos para Israel via França”. Argumenta-se que os itens foram usados para “manter e reparar caças F-35 empregues pela Força Aérea Israelense em missões de bombardeio e vigilância em Gaza”.

Segundo a denúncia, as transações podem “ser classificadas como cumplicidade em crimes de guerra, lesa-humanidade e genocídio”.

A FedEx francesa negou as alegações apresentadas na ação, protocolada no Tribunal Nacional Antiterrorista (PNAT). “Não fazemos entregas internacionais de armas ou munições”, insistiu a empresa à rede internacional AFP.

A denúncia lista 117 remessas enviadas entre o início de abril e o final de outubro de 2025, dos Estados para Israel, com escala no Aeroporto de Roissy-Charles-de-Gaulle, todas manuseadas pela empresa “FedEx Express FR”.

Segundo a ação, vinte e duas das remessas foram transportadas diretamente para Israel a partir de Paris, incluindo ao menos três por aeronaves da FedEx registradas na França. A FedEx “necessariamente tinha conhecimento do conteúdo das remessas”, ressaltou a denúncia.

A ação baseia-se em um relatório de várias organizações pró-palestinas, incluindo People’s Embargo for Palestine e Urgence Palestine, que rastrearam os envios, alguns contendo peças mecânicas e aeronáuticas descritas como de duplo uso — tanto civil quanto militar — capazes de equipar vários tipos de aeronaves.

“Não há nenhum cenário em que isso pudesse ser para uso civil. Há invólucros, paraquedas, destinados a bases militares. São peças identificadas como úteis em aeronaves F-35, e possivelmente em F-15s e F-16s”, elucidou Damia Taharraoui, advogada da organização antissionista francesa ao veículo Mediapart.

Como a regulamentação francesa exige autorização oficial antes que bens militares ou de duplo uso possam ser exportados, os requerentes pedem a abertura de uma investigação judicial para determinar se as autoridades francesas deram sinal verde à FedEx.

“Se for comprovado que o governo de fato concedeu autorizações de trânsito, elas claramente contrariam convenções internacionais ratificadas pela França, principalmente a Convenção de 1948 para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio”, observou Taharraoui.

Cumplicidade francesa

A França tem apoiado ostensivamente a campanha israelense na Faixa de Gaza sitiada, desde outubro de 2023, com ao menos 72 mil mortos até então, com o enclave reduzido a escombros, classificada como genocídio por centenas de organizações de direitos humanos e órgãos internacionais.

O governo francês negou repetidamente acusações de que exporta armas para Israel, ao alegar que vende apenas “componentes” para o sistema de defesa aérea conhecido como Domo de Ferro, além de “itens destinados à reexportação”.

Israel anunciou no mês passado sua decisão de suspender as importações de segurança da França, ao acusar Paris de manter uma postura “hostil” em relação ao país — provavelmente referindo-se à sua decisão de setembro de reconhecer o Estado da Palestina —; ainda assim, o governo francês continuou a reprimir campanhas pró-Palestina e a restringir direitos de livre movimento de ativistas.

Na semana passada, o chefe do grupo palestino de direitos humanos Al-Haq teve o visto negado pela França, o que o impediu de participar de reuniões importantes no parlamento do país, no ministério das Relações Exteriores e no Conselho da Europa. Shawan Jabarin deveria comparecer perante a comissão de direitos humanos do Parlamento Europeu em Estrasburgo e tinha reuniões agendadas com autoridades da chancelaria francesa. Seu visto, porém, foi indeferido pelas autoridades da Europa e da França, pela segunda vez desde setembro, quando os Estados Unidos sancionaram o grupo palestino.

Um representante do Al-Haq disse ao Middle East Eye que Jabarin, que recebeu em nome de sua organização o prêmio de direitos humanos da república francesa em 2018, também deveria participar de briefings no parlamento em Paris e na Bélgica.

A recusa de última hora da França em lhe conceder um visto impediu Jabarin de comparecer a quaisquer dessas reuniões. Em 2022, o palestino de 66 anos se encontrou com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu. Não parece haver justificativa, salvo lobby, para a mudança de postura.

Publicado originalmente em inglês pela rede Middle East Eye, em 22 de abril de 2026

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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