Eurovision 2026: Mais de mil artistas chamam boicote contra Israel

Dalia Anis
14 minutos ago

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Protesto pede boicote ao Festival da Canção Eurovision [Reprodução/Agência Anadolu]

Ao menos 1.100 músicos e profissionais da cultura conclamaram boicote à 70ª edição do Festival da Canção Eurovision, por manter a filiação de Israel, apesar de pressão contínua para banir o regime colonial do evento internacional devido a seu genocídio perpetrado na Faixa de Gaza.

Os grupos ativistas No Music for Genocide e Campanha Palestina por Boicote Acadêmico e Cultural de Israel, mais conhecido como Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), em 21 de abril, publicaram uma carta aberta em “repúdio do uso do Eurovision para limpar a imagem e normalizar o genocídio, o cerco e a brutal ocupação militar de Israel contra os palestinos”.

“Como qualquer artista ou fã do Eurovision, em boa consciência, pode participar dessa edição do festival, na Áustria, diante dos planos israelo-americanos para instituir campos de concentração, sob vigilância máxima, na ‘Nova Gaza’?”, destacou a carta. Dentre seus signatários, Macklemore, Paloma Faith, Kneecap, Massive Attack e antigos vencedores do Eurovision. “Há momentos na história em que o silêncio não é uma opção”, acrescentou. “Não nos silenciaremos enquanto a violência genocida de Israel dita o ritmo e silencia as vidas palestinas”.

O Eurovision, realizado anualmente pela European Broadcasting Union (EBU), continua a enfrentar acusações de dois pesos e duas medidas, ao banir a Rússia de sua competição quase imediatamente após a invasão da Ucrânia, em 2022, sob alusão a uma “crise sem precedentes” no país, “que poderia desacreditar” o evento.

Mais de dois anos e meio após eclodir o genocídio israelense em Gaza, com mortes que superam 72 mil pessoas, o Eurovision insiste em não somente manter, como defender a participação da emissora público-militar de Israel, Kan, no torneio — muito embora o país sequer esteja localizado na Europa.

“As respostas hipócritas da EBU aos crimes russos e israelenses destituíram o Eurovision de qualquer ilusão de suposta ‘neutralidade’”, alertou a carta. “Em 2022, a EBU disse que a presença de Moscou ‘desacreditaria’ a competição. No entanto, os mais de 30 meses de genocídio em Gaza — junto de avançada limpeza étnica e roubo de terras na Cisjordânia sitiada — não são considerados suficientes para aplicar a mesma política a Israel”.

A emissora recusou sequer votar a exclusão israelense, em encontro em dezembro; como resposta, cinco países — Islândia, Irlanda, Holanda, Eslovênia e Espanha — anunciaram seu boicote à edição de 2026, sediada em Viena.

Segundo a rede israelense Ynet News, em reportagem do ano passado, o presidente Isaac Herzog incumbiu-se de montar uma equipe para pressionar pela participação do regime ocupante, incluindo “lobby direto de membros da EBU, com intuito de impedir o conselho de avançar a uma votação vinculativa, que Israel temia eventualmente perder”.

“Aplaudimos a retirada, embasada em princípios, das emissoras de Espanha, Eslovênia, Islândia, Irlanda e Holanda, assim como a recusa de numerosos finalistas das seletivas nacionais de participarem do Eurovision”, concluiu a carta.

Em protesto semelhante à decisão da EBU, o cantor suíço Nemo, vencedor da edição de 2024 do Festival da Canção Eurovision, devolveu seu prêmio após os responsáveis pela produção do festival liberarem a participação israelense no torneio deste ano.

Publicado originalmente em inglês pela rede Middle East Eye, em 21 de abril de 2026

 

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