O grupo de lobby liberal pró-Israel J Street defendeu o fim gradual de toda a ajuda militar dos EUA a Israel até 2028, em um sinal marcante de como o cenário político mudou em Washington em relação ao apoio incondicional ao Estado ocupante.
Em entrevista ao Haaretz, o presidente da J Street, Jeremy Ben-Ami, disse que a relação EUA-Israel deveria ser “normalizada” para que “não haja mais exceções ao tratamento especial”, com Israel financiando suas próprias necessidades militares com seu próprio orçamento assim que o atual acordo de ajuda expirar.
Muitos críticos apontaram que a postura agressiva de Israel na região e a contínua ocupação ilegal da Palestina seriam severamente prejudicadas sem a ajuda dos EUA, forçando o Estado de apartheid a mudar sua política.
Essa mudança é vista como significativa porque a J Street há muito se posiciona como uma alternativa sionista liberal a grupos de lobby pró-Israel mais radicais, ao mesmo tempo que defende uma relação “forte” entre EUA e Israel.
Embora a posição da J Street não chegue a pedir um embargo total de armas, ela representa um dos reconhecimentos mais claros até o momento, por parte de uma organização pró-Israel tradicional, de que a era dos subsídios militares automáticos para Israel está se tornando politicamente mais difícil de sustentar.
Ben-Ami afirmou que as futuras vendas de armas para Israel devem estar sujeitas aos mesmos padrões legais aplicados a qualquer outro país, incluindo as Leis Leahy, que proíbem a assistência dos EUA a unidades militares estrangeiras acusadas de graves violações dos direitos humanos. Ele também argumentou que Israel, com um orçamento de defesa de cerca de US$ 45 bilhões, pode arcar com os custos de sistemas como o Domo de Ferro.
A intervenção ocorre em meio a uma mudança mais ampla dentro do Partido Democrata, onde Israel é cada vez mais visto como um fardo político em vez de um aliado inquestionável. Na semana passada, uma nova pesquisa do Pew Research Center mostrou que 60% dos adultos americanos agora têm uma visão desfavorável de Israel. Entre democratas e independentes com tendência democrata, o número subiu para 80%, ante 69% no ano passado e 53% em 2022.
Esse colapso no apoio está remodelando a política democrata tradicional. A deputada Alexandria Ocasio-Cortez afirmou, no início deste mês, que se oporia a qualquer ajuda militar futura dos EUA a Israel, incluindo para os chamados sistemas de defesa, argumentando que Israel é plenamente capaz de financiar suas próprias forças armadas e que a ajuda americana deve estar em conformidade tanto com o direito internacional quanto com a legislação americana.
O democrata californiano Ro Khanna ecoou essa posição em relação ao financiamento do Domo de Ferro, enquanto o senador Bernie Sanders anunciou uma nova resolução com o objetivo de interromper completamente a ajuda militar a Israel.







