A crescente crise de efetivo em Israel parece estar levando o exército de ocupação a recrutar até mesmo reservistas traumatizados de volta ao serviço. Segundo uma reportagem do Haaretz, alguns soldados israelenses que sofrem de traumas mentais graves foram ameaçados com punições, incluindo prisão, caso não se apresentassem para o serviço.
A reportagem aponta para um exército sob crescente pressão, enquanto Israel trava guerra em múltiplas frentes e luta para manter suas forças de reserva. Comandantes exigiram que reservistas em tratamento para traumas relacionados à guerra se apresentassem para o serviço, mesmo quando alguns haviam sido internados no Departamento de Reabilitação do Ministério da Defesa israelense e estavam recebendo tratamento psiquiátrico.
Alega-se que muitos dos soldados ainda não haviam recebido laudos formais de invalidez, um processo que pode levar anos, deixando-os vulneráveis a novas convocações, apesar de sua condição.
Comandantes de diversas brigadas de reserva teriam adotado a mesma postura, mesmo em casos particularmente graves, incluindo soldados que haviam sido recentemente hospitalizados em alas psiquiátricas. O jornal israelense afirmou ter recebido mais de 20 relatos semelhantes desde o início da guerra com o Irã.
Um reservista de um batalhão do Comando da Frente Interna relatou ter enviado ao seu comandante um documento psiquiátrico alertando que ele representava um perigo para si mesmo e para os outros, mas mesmo assim foi obrigado a se apresentar. Seu serviço na reserva só foi suspenso depois que o Haaretz contatou a unidade do porta-voz do exército israelense.
Outro caso citado pelo jornal envolve um paraquedista que participou do genocídio israelense em Gaza após 7 de outubro. O soldado sofre de transtorno de estresse pós-traumático, mas mesmo assim recebeu recentemente uma nova convocação.
Um reservista da 300ª Brigada também relatou ao jornal que os comandantes insistiram para que ele se apresentasse ao serviço mesmo depois de ele ter deixado claro que estava participando de um programa de tratamento ambulatorial.
Alguns dos depoimentos sugerem que a pressão decorria diretamente da escassez de tropas no exército. Um reservista da infantaria disse ao Haaretz que seu comandante de pelotão insistiu que ele se apresentasse porque esta era “a guerra mais importante da história de Israel” e porque “precisamos de todos”.
As revelações reforçam os crescentes sinais de que as Forças Armadas israelenses estão sob forte pressão. No mês passado, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, Eyal Zamir, alertou que o exército está à beira de um “colapso interno” em meio às crescentes pressões da guerra em múltiplas frentes, incluindo o Irã e o Hezbollah.
Há relatos de que 37.500 pessoas estão atualmente recebendo tratamento para saúde mental pelo Ministério da Defesa, das quais cerca de 15.000 ainda não foram avaliadas por uma junta médica. Desse grupo, quase 7.300 receberam um diagnóstico provisório de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) ou outro transtorno mental.
Especialistas citados pelo Haaretz alertaram que enviar soldados traumatizados de volta ao serviço pode ter sérias consequências, incluindo um risco maior de suicídio. O jornal observou que já havia relatado dois casos de soldados diagnosticados com TEPT que foram reconvocados ao serviço e posteriormente tiraram a própria vida enquanto ainda estavam servindo.
![Forças militares israelenses tomam medidas de segurança ao redor da área durante uma incursão na Cidade Velha de Nablus, Cisjordânia, em 11 de fevereiro de 2026. [Nedal Eshtayah - Agência Anadolu]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/04/AA-20260211-40520416-40520400-ISRAELI_FORCES_CONDUCT_RAID_IN_NABLUS.webp)