Israel lança ataques a sítios nucleares, Irã promete retaliação

3 dias ago

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Israel e EUA atacam Teerã, no Irã, em 23 de março de 2026 [Tolga Akbaba/Agência Anadolu]

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, alertou para um “duro preço” a ser pago após Israel atacar duas instalações civis de energia nuclear. Segundo o exército iraniano, Tel Aviv e Washington estão “brincando com fogo”.

As informações são da agência de notícias Al Jazeera.

Israel atingiu uma instalação de processamento de urânio na cidade central de Yazd, em uma nova escalada que contradiz esforços de diplomatas regionais por um acordo, após um mês de disparos que transbordaram ao Golfo.

Em fevereiro, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, voltou a ordenar ataques ao Irã, tendo como retaliação o fechamento da travessia estratégica do estreito de Hormuz, além de disparos a Israel e bases americanas por todo o Oriente Médio.

A Força Aérea israelense admitiu a ofensiva, ao alegar que a instalação servia para extrair matéria-prima ao enriquecimento de urânio.

A Organização de Energia Atômica do Irã corroborou o incidente, mas negou vazamentos ou baixas. A instituição confirmou ainda que um projétil atingiu os arredores da usina de Bushehr, “sem baixas ou danos técnicos e financeiros”.

A sexta-feira (27) marcou o 28º dia de guerra, com uma bateria israelense que varreu o Irã, sobretudo infraestrutura civil. A unidade de saneamento de Khondab, na zona central, foi atingida, bem como duas instalações siderúrgicas, em Khuzestan e Isfahan.

Outros ataques incluíram a capital Teerã e arredores, bem como as cidades de Kashan e Ahwaz. Em Qom, dezoito pessoas morreram. 

Desde 28 de fevereiro, Israel e Estados Unidos mataram ao menos 1.900 pessoas no Irã, além de ataques indiscriminados ao Líbano. Oficiais iranianos notaram ainda danos a 120 museus e sítios históricos em todo o país.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, prometeu “intensificar” a campanha. Tel Aviv e outros colonatos, porém, seguem abalados por réplicas sem precedentes.  

Seyed Majid Moosavi, comandante da Unidade Aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã, advertiu que o conflito entra agora em novo terreno, ao sugerir que “a equação deixará de ser olho por olho”.

Moosavi insistiu que funcionários de empresas americanas e israelenses devem imediatamente deixar a região.

Os disparos israelenses a infraestrutura nuclear parecem minar ainda recentes alegações de Trump de que adiaria ataques a instalações de energia por dez dias, até 6 de abril, para eventuais negociações, que supostamente estariam “indo bem”.

Oficiais iranianos rechaçaram a caracterização, ao descrever a proposta da Casa Branca como “injusta e unilateral”, ao negligenciar demandas de Teerã, incluindo reparações de guerra e reconhecimento de seu controle sobre Hormuz.

Na sexta, uma fonte iraniana indicou que ataques concomitantes a supostas conversas seriam “intoleráveis”.

Paquistão, Egito e Turquia anunciaram manter comunicação indireta entre as partes.

Em Paris, para encontro do G7, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chegou a afirmar que a campanha seria encerrada “em semanas”. Na tentativa de mobilizar o bloco econômico, Rubio condenou planos iranianos de cobrar taxas em Hormuz.

Ainda nesta sexta, a Guarda Revolucionária anunciou devolver três navios que tentavam atravessar o estreito, fechado a cargas ligadas aos inimigos em conflito.

Neste entremeio, a Organização das Nações Unidas (ONU) apregoou a formação de uma força-tarefa para manter o fluxo de fertilizante e matérias-primas relacionadas pela rota marítima, paralisada pelo embargo de guerra.

A França solicitou então um sistema de escolta a petroleiros, a partir da desescalada. 

Em nota conjunta, ministros de Relações Exteriores do G7 evocaram a lei internacional ao pedir restauração permanente da “navegação segura e isenta de taxas” por Hormuz. 

De sua parte, o embaixador iraniano na ONU confirmou medidas para facilitar e acelerar envios humanitários, embora sem novidades sobre o bloqueio comercial.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) reiterou na sexta que o conflito elevou o impacto da insegurança alimentar em todo globo a 363 milhões de pessoas, acima dos 318 milhões pré-guerra, incluindo carestia, sobretudo a países mais pobres.

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