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Relatório israelense alerta para aliança emergente entre Turquia e Egito formando um “anel sunita” ao redor de Israel

28 de fevereiro de 2026, às 10h31

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, realizam uma coletiva de imprensa conjunta após sua reunião em 4 de fevereiro de 2026, no Cairo, Egito. [Doğukan Keskinkılıç – Agência Anadolu]

Uma análise política israelense alertou para o que descreve como uma mudança geopolítica secreta liderada pela Turquia e pelo Egito, com o objetivo de formar um alinhamento regional sunita que poderia remodelar a dinâmica de poder no Oriente Médio em torno de Israel. O relatório, publicado pela plataforma de notícias israelense Mida e baseado em pesquisa do Instituto Gatestone, com sede na Europa, argumenta que, embora a atenção internacional permaneça voltada para o Irã, um processo diplomático paralelo está em curso, podendo acarretar consequências estratégicas significativas a longo prazo para Israel, os Estados Unidos e a região em geral.

De acordo com a análise, o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, lançou uma ampla iniciativa diplomática com o objetivo de fortalecer a cooperação entre os estados de maioria sunita sob a liderança de Ancara. O relatório afirma que o esforço busca não apenas a reconciliação com antigos rivais regionais, mas também a criação de um bloco político e estratégico coordenado, descrito como um “anel sunita” em torno de Israel, apresentado como uma alternativa à rede de aliados regionais do Irã.

O relatório destacou a viagem regional de Erdoğan no início de fevereiro de 2026, durante a qual ele visitou a Arábia Saudita e o Egito e, posteriormente, recebeu o rei Abdullah II da Jordânia em Istambul. Analistas citados no relatório descreveram os encontros como o culminar de um processo de normalização mais amplo, iniciado em 2022, quando a Turquia buscou reparar as relações tensas com os estados do Golfo e árabes, após anos de tensões ligadas ao apoio de Ancara à Irmandade Muçulmana.

Foi dada especial ênfase ao aquecimento das relações turco-egípcias, caracterizado como um ponto de virada importante após mais de uma década de rivalidade política, na sequência da crise política egípcia de 2013. Durante a visita de Erdoğan ao Cairo, os dois países assinaram um acordo-quadro militar, estimado em US$ 350 milhões, que abrange produção conjunta de armamentos, cooperação em inteligência e exercícios militares. O relatório acrescentou que eram esperadas entregas de sistemas de defesa aérea e munições turcas, enquanto o comércio bilateral poderia atingir US$ 15 bilhões.

De uma perspectiva estratégica, a análise argumentou que a participação do Egito expandiria significativamente a influência de qualquer alinhamento emergente, dado o controle do Cairo sobre o Canal de Suez e seu papel central na segurança do Norte da África e do Mediterrâneo. O relatório sugeriu que isso poderia conceder ao Egito vantagem logística sobre as rotas marítimas consideradas vitais para a economia de Israel.

A avaliação reflete o debate em curso nos círculos estratégicos israelenses sobre as mudanças nas alianças regionais em meio às transformações geopolíticas mais amplas no Oriente Médio.