O Ministro das Finanças palestino, Istifan Salameh, alertou na quinta-feira que a Autoridade Palestina enfrenta uma “ameaça existencial” devido à contínua retenção de receitas fiscais por Israel, enfatizando que 2026 será o ano financeiro mais difícil, segundo a Anadolu.
Em uma coletiva de imprensa em Ramallah, Salameh afirmou que Israel confiscou cerca de 70% das receitas palestinas, agravando o déficit fiscal e comprometendo a capacidade do governo de cumprir suas obrigações, principalmente o pagamento de salários e a prestação de serviços básicos.
Ele disse que 2026 será o ano mais desafiador financeiramente na história da Autoridade Palestina, alertando que as políticas israelenses em relação aos palestinos equivalem a “brincar com fogo”.
Salameh advertiu sobre as repercussões dessas medidas na estabilidade financeira e bancária, bem como na situação econômica geral dos territórios palestinos.
O ministro das Finanças israelense de extrema-direita, Bezalel Smotrich, ameaçou repetidamente cortar canais financeiros vitais e interromper as relações entre bancos palestinos e israelenses, uma medida que poderia isolar a economia palestina internacionalmente e interromper os fluxos comerciais, em meio a alertas de um potencial colapso do sistema bancário na Cisjordânia ocupada.
Salameh afirmou que a Autoridade Palestina enfrenta uma “ameaça existencial” devido às deduções israelenses contínuas das receitas alfandegárias e ao aumento da pressão financeira, acusando Israel de tentar enfraquecer a Autoridade e minar sua capacidade de continuar funcionando.
Há meses, o governo palestino não recebe nenhum recurso proveniente de taxas alfandegárias, disse o ministro das Finanças, descrevendo a situação atual como “perigosa”.
A Autoridade Palestina enfrenta uma crise financeira desde 2019, que se intensificou em 2025, com déficits acumulados e dívidas não pagas atingindo US$ 4,26 bilhões, segundo dados palestinos.
Desde 2019, Israel vem deduzindo valores das receitas alfandegárias palestinas sob vários pretextos e interrompeu completamente as transferências há nove meses, mergulhando a Autoridade em uma prolongada crise financeira que a impossibilitou de pagar integralmente os salários do setor público.
As receitas alfandegárias são impostos sobre mercadorias importadas para os territórios palestinos que Israel arrecada em nome da Autoridade. Israel as utiliza como instrumento de pressão política por meio de deduções e retenções.
Ajuda externa
Salameh destacou uma relativa melhora na assistência externa ao longo do último ano, observando que a Palestina recebeu US$ 800 milhões em apoio orçamentário direto, além de cerca de US$ 850 milhões de doadores.
“Apesar dessa melhora no apoio externo, a dimensão dos desafios financeiros permanece significativa em meio às medidas israelenses em curso”, acrescentou.
O ministro anunciou que o governo pagará 60% dos salários dos funcionários públicos na próxima segunda-feira, dada a crise financeira sem precedentes enfrentada pela Autoridade Palestina.
Ele pediu à comunidade internacional que pressione Israel a liberar os fundos palestinos retidos.
Após o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, Israel passou a transferir apenas cerca de 30% das receitas de desapropriação, após deduzir os valores alocados pelo governo palestino para salários e assuntos sociais em Gaza.
Ministros do governo israelense, liderados pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, têm incitado repetidamente a violência contra a Autoridade Palestina.
No domingo, o governo israelense aprovou decisões destinadas a alterar a realidade jurídica e civil na Cisjordânia ocupada para fortalecer o controle israelense sobre o território.







