Crescem os apelos para impedir a entrada do presidente israelense, Isaac Herzog, na Austrália, enquanto parlamentares debatem uma moção que insta Canberra a retirar o convite feito a ele, segundo a Anadolu.
O senador David Shoebridge, do Partido Verde da Austrália, afirmou que seu partido apresentou a moção no Senado, pedindo ao primeiro-ministro Anthony Albanese que revogue o convite a Herzog, que deve visitar o país na próxima semana.
Herzog “literalmente assinou as bombas usadas no genocídio em Gaza. O Partido Trabalhista, os Liberais e o One Nation se uniram para votar contra”, disse Shoebridge, que representa Nova Gales do Sul (NSW) na câmara alta do parlamento australiano.
“Isso diz tudo”, acrescentou Shoebridge. Herzog deverá chegar a Sydney em 8 de fevereiro para uma visita de quatro dias.
Na semana passada, uma coligação de grupos da sociedade civil apresentou uma queixa formal, instando as autoridades a negarem o visto a Herzog e a abrirem uma investigação criminal ao abrigo da legislação australiana.
A queixa foi apresentada pelo Conselho Nacional de Imãs da Austrália (ANIC), juntamente com o Conselho Judaico da Austrália e a Fundação Hind Rajab, ao procurador-geral, ao ministro do Interior e à polícia federal.
Anteriormente, proeminentes defensores da justiça na Austrália também exigiram que a polícia federal investigasse Herzog por incitamento ao genocídio antes da sua visita.
O Centro Australiano para a Justiça Internacional, juntamente com grupos de defesa dos direitos dos palestinos, incluindo a Al Haq e o Centro Al Mezan para os Direitos Humanos, afirmou, num pedido formal de investigação, que seria inaceitável que Herzog, acusado de incitar ao genocídio, entrasse na Austrália sem consequências.
Herzog foi convidada pelo primeiro-ministro Albanese após o ataque na praia de Bondi, em dezembro, que matou 15 pessoas e feriu 42.
“Certamente dou as boas-vindas [a Herzog] e aguardo com expectativa a visita. Observo também que Anne Aly fez comentários apropriados, saudando o fato de que esta visita acontecerá e acolhendo tudo o que leve a um maior senso de união. Precisamos construir coesão social neste país”, disse Albanese a repórteres na semana passada.
Uma comissão especial de inquérito do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a guerra na Faixa de Gaza concluiu, no ano passado, que Israel estava cometendo genocídio e afirmou que os comentários feitos por Herzog após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 eram evidências de intenção genocida.
Em outra notícia, o comissário de polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, anunciou uma prorrogação de 14 dias das restrições a protestos, em antecipação às manifestações planejadas contra a visita de Herzog, segundo a ABC News.
![O presidente de Israel, Isaac Herzog, na Polônia, em 24 de abril de 2025. [Omar Marques – Agência Anadolu]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/02/AA-20250424-37736687-37736672-80TH_EDITION_OF_THE_MARCH_OF_THE_LIVING.webp)