A decisão inovadora da África do Sul de declarar o enviado do regime sionista “persona non grata” e expulsá-lo do país foi saudada pelos movimentos de resistência e solidariedade à Palestina.
Este passo é um marco crucial da posição de princípio do governo Ramaphosa em defender e manter sua soberania. Apesar da intimidação e do assédio dos EUA, o governo se manteve firme na resistência às tentativas sionistas de minar a governança nacional.
Após a intervenção crucial que fez no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), a decisão atual representa mais uma vez uma posição corajosa que exige a solidariedade de todas as formações políticas, da sociedade civil, dos sindicatos e das organizações de direitos humanos.
Tendo acompanhado a conduta provocativa do vice-embaixador do regime do apartheid, Ariel Seidman, somos compelidos a concordar com a decisão do Departamento de Relações Internacionais e Cooperação (DIRCO) de declará-lo persona non grata e emitir ordens para que ele deixe o país.
A série de ações questionáveis por parte dele é corretamente considerada pelo governo como “violações inaceitáveis das normas e práticas diplomáticas”, representando uma ameaça à soberania do país.
Como agente de Hasbara (propaganda) de Netanyahu, as ações maliciosas de Seidman eram intoleráveis. A audácia de usar as plataformas do regime do apartheid para lançar “ataques insultuosos” contra o presidente Ramaphosa tornou-se cada vez mais agressiva.
E, em violação do protocolo diplomático, Seidman foi acusado de abuso de privilégios ao interferir em instituições provinciais sem aprovação.
Informações de domínio público confirmam que a embaixada sionista foi acusada de “falha deliberada” em informar as autoridades sul-africanas sobre visitas não declaradas de altos funcionários israelenses, que deliberadamente contornaram a aprovação do governo nacional.
O desrespeito de Israel às leis internacionais e às resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, apesar de ser uma rejeição habitual de valores e normas civilizadas, não será tolerado por países que prezam a independência.
A mensagem é clara. A impunidade de Netanyahu e seus agentes arrogantes não ficará impune.
Apesar de a decisão ser baseada no direito inalienável da África do Sul de proteger sua soberania contra interferências estrangeiras, partidos de direita, da Frente da Liberdade (FF Plus) à Aliança Democrática (DA), reagiram com birras.
Nada surpreendente, nem inesperado. A solidariedade da direita com o regime de apartheid israelense, seja na África do Sul ou em qualquer outro lugar do Ocidente, se define pela aceitação do racismo, do genocídio e da limpeza étnica.
Eles podem contestar isso. A verdade é que, enquanto tolerarem a conduta desumana de Israel contra os palestinos em Gaza e na Cisjordânia ocupada, o estigma de serem amigos de um regime genocida permanecerá.
Para eles, estarem indignados, ao lado dos lobistas locais de Israel, não é chocante. É uma expressão de sua visão de mundo distorcida – mais alinhada com a de seus “heróis” belicistas, Trump e Netanyahu.
Certamente, eles já teriam começado a pressionar os Estados Unidos por ações punitivas e enérgicas. Afinal, o mito do “genocídio branco”, que caracterizou a atitude hostil do governo Trump em relação à África do Sul, foi fabricado por elementos dentro dos campos da direita.
O absurdo de se opor à integridade e à independência de um governo soberano não é uma postura diplomática. É provocativo e insultuoso. Nenhum sul-africano que se preze deveria aceitá-lo. David Miller ofereceu uma excelente explicação para essas posições ridiculamente ilógicas no contexto das violentas campanhas de mudança de regime na República Islâmica do Irã: “Quando o Mossad incita a tumultos e a esquerda ocidental chama isso de ‘luta pela liberdade’, algo deu terrivelmente errado”.
De fato, os bandidos que se disfarçam de “diplomatas” na África do Sul ou de “manifestantes” no Irã continuarão sendo uma linha vermelha. Se você a cruzar, enfrentará as consequências.
Enquanto persiste a incerteza sobre se Trump bombardeará e invadirá o Irã, ficamos sabendo que os EUA estão realocando seu sistema de defesa antimíssil balístico THAAD para novas posições em Israel.
A questão é: o que exatamente restou de Israel, além de um grande acampamento militar, para defender?
A realidade enfrentada pelo regime sionista, cujos principais centros militares, de inteligência e financeiros foram severamente danificados por mísseis iranianos, é a de que ele está moralmente falido, economicamente fragilizado e politicamente fraco.
Ficamos sabendo que o porto de Eilat declarou falência. Sua maior refinaria, em Haifa, opera com menos de 50% da capacidade, lutando para se recuperar dos danos causados pelo Irã.
Quase um milhão de pessoas estão sem trabalho e 800 mil estão sem emprego. Duzentas mil ou mais fugiram para seus países de origem, para nunca mais voltar. O investimento estrangeiro evaporou em até 70%. E Netanyahu enfrenta acusações de crimes de guerra em Haia, enquanto o suicídio entre os assassinos se tornou endêmico.
A narrativa, portanto, deve se concentrar no motivo pelo qual a África do Sul tomou a importantíssima decisão de expulsar Seidman, e não em ocultar sua instrumentalização de operações de mudança de regime.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.
![Manifestantes, portando faixas e cartazes, se reúnem para exigir a suspensão das exportações de carvão para Israel, argumentando que os carregamentos da África do Sul contribuem para as baixas civis e violações dos direitos humanos em Gaza, em 28 de maio de 2025, em Joanesburgo, África do Sul. [Ihsaan Haffejee/ Anadolu Agency]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/02/AA-20250528-38112264-38112254-PROTEST_IN_SOUTH_AFRICA_TO_HALT_COAL_EXPORTS_TO_ISRAEL_OVER_ISRAELI_ATTACKS_ON_GAZA.webp)