Um protesto pró-Palestina foi realizado na capital albanesa, Tirana, nesta sexta-feira (30), contra a recente visita do primeiro-ministro Edi Rama a Israel.
As informações são da agência de notícias Anadolu.
O ato, convocado por organizações da sociedade civil sob o slogan “Não em meu nome”, ocorreu em frente ao parlamento. Manifestantes rechaçaram a passagem de Rama pelo Estado ocupante, entre 25 e 27 de janeiro, e expressaram solidariedade aos palestinos de Gaza.
Floriar Arapi, um dos organizadores, disse que o protesto buscou mostrar que a sociedade albanesa segue do lado da paz e da justiça, e não de políticas de violência e assassinatos contra civis.
Sidorela Vatnikaj, que participou do protesto, notou que a viagem da Rama não representa o posicionamento do povo albanês, que compreende bem as dores da guerra e se opõe à escalada em Gaza.
Outro manifestante, Orgest Rrushi, condenou o discurso de Rama no parlamento de Israel (Knesset) e reforçou reivindicações pelo fim dos ataques.
A polícia, no entanto, impediu que os manifestantes seguissem marcha.
Rama buscou justificar as ações de Israel em sua intervenção no Knesset, ao culpabilizar o movimento Hamas pela catástrofe humanitária em Gaza e ignorar o número de mortos, estimados em ao menos 71 mil vítimas.
Ao abrir seu discurso, Rama estendeu acenos aos líderes israelenses, incluindo o premiê Benjamin Netanyahu — foragido em 120 países sob mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), com sede em Haia, por crimes de guerra e lesa-humanidade.
Rama agradeceu receber a Medalha Presidencial de Honra do presidente israelense Isaac Herzog, a quem descreveu como “nobre e leal amigo da Albânia”. Herzog, porém, também é responsável por declarações genocidas, ao incitar ataques a civis e exigir publicamente punição coletiva.
Especialistas albaneses, porém, criticaram o discurso “unilateral” de Rama, no sentido de comprometer seu país em apoio a Israel.
Marlind Laci, analista político, sugeriu que o governo “não tem um plano claro” no que diz respeito aos interesses nacionais, exceto o “instinto pessoal” do premiê.
“Não existe um plano a médio ou longo prazo no que concerne os objetivos da República, seja nos Balcãs ou no Oriente Médio”, alertou Laci.
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![Protesto contra a visita do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, a Israel, em Tirana, em 30 de janeiro de 2026 [Olsi Shehu/Agência Anadolu]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/02/AA-20260130-40411945-40411941-PROTEST_AGAINST_ALBANIAN_PRIME_MINISTER_RAMAS_VISIT_TO_ISRAEL_IN_TIRANA-scaled-e1769805046561.webp)