A rede internacional Al Jazeera denunciou a capitulação do YouTube a uma determinação israelense para banir seus canais nos territórios ocupados, ao descrever a medida como “violação de liberdades de imprensa e padrões internacionais”.
As informações são da rede de notícias Anadolu.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (29), insistiu a Al Jazeera: “Condenamos firmemente a submissão do YouTube à decisão das autoridades israelenses para banir a transmissão de nossos canais na plataforma e bloquear nossos websites em Israel”.
“Essa resposta viola as Diretrizes das Nações Unidas para Negócios e Direitos Humanos, que requer de empresas globais de tecnologia que protejam a liberdade de expressão e resistam a pressão de governos para silenciar o jornalismo independente”.
Nesta semana, autoridades ocupantes impuseram censura de 90 dias às redes Al Jazeera, do Catar, e Al-Mayadeen, do Líbano.
O ministro das Comunicações de Israel, Shlomo Karhi, confirmou no domingo (25) que as agências teriam transmissão impedida em websites, televisão e YouTube, nos territórios sob jurisdição da ocupação.
Segundo a Al Jazeera, “banir nossas plataformas digitais por pretextos vãos de segurança emite uma mensagem perigosa de que corporações de tecnologia podem ser cooptadas como instrumentos de regimes hostis a liberdades básicas”.
“A escalada é parte de um padrão amplo e sistêmico de violações israelenses, incluindo assassinatos e prisões contra nossos jornalistas e o fechamento de nossas redações nos territórios ocupados, no intuito de suprimir a verdade”, acrescentou.
“Pedimos uma investigação internacional sobre como plataformas de tecnologia se veem capazes de ceder a censura, bem como salvaguardas contra pressão política”, concluiu o comunicado.
O YouTube não comentou a denúncia até então.
Israel assumiu ataques institucionais ao trabalho da rede Al Jazeera em maio de 2024, no contexto do genocídio em Gaza, ao escalar censura desde então.
Durante sua campanha militar no enclave palestino, Israel deixou ao menos 71 mil mortos e 171 mil feridos, além de dois milhões de desabrigados, sobretudo mulheres e crianças, sujeitos a fome e destruição de 90% da infraestrutura civil.
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