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Protesto na Holanda denuncia violência policial contra mulheres muçulmanas

31 de janeiro de 2026, às 03h56

Protesto denuncia violência policial contra mulheres muçulmanas na Praça de Vredenburg, em Utrecht, na Holanda, em 29 de janeiro de 2026 [Abdullah Asiran/Agência Anadolu]

Um protesto foi realizado na quinta-feira (29) na cidade holandesa de Utrecht contra um caso de “violência racista” após um policial agredir duas mulheres muçulmanas, segundo informações da agência Anadolu.

A manifestação se deu um vídeo viral nas redes sociais registrar um policial dando golpes de cacetete contra uma das vítimas e chutando a outra na região do abdômen. O ataque ocorreu na segunda-feira (26), em frente ao shopping Hoog Catharijne.

Ativistas e cidadãos solidários se reuniram na Praça de Vredenburg contra o incidente. Os manifestantes criticaram a polícia, ao denunciar reincidência e acusarem-na de racismo “sistêmico e reiterado”.

Dentre as demandas, um pedido de desculpas das autoridades às vítimas e ao público e medidas para evitar novos casos, bem como exoneração do agente agressor.

Manifestantes entoaram palavras de ordem como “Sem justiça, sem paz”, “Basta de uma polícia racista” e “Polícia fascista, basta de terrorismo”.

A marcha seguiu então à delegacia de Paardenveld, na cidade.

A polícia alegou em comunicado ter aberto uma investigação interna sobre o episódio, ao revisar todos os vídeos disponíveis. No entanto, confirmou que uma das vítimas foi detida sob suspeita de desacato.

Para um porta-voz da polícia, o vídeo incitou “fortes emoções”. O oficial admitiu, contudo, questões que vieram à tona, sobretudo racismo.

Uma das vítimas relatou injúria racial por parte do policial, incluindo “Você não pertence a este país”, confirmou sua advogada, Anis Boumanjal, à rede NOS. Boumanjal corroborou ferimentos sofridos durante o ataque.

A vítima segue em cuidados médicos, acrescentou.

A Holanda, assim como o restante da Europa, vive há anos uma onda de xenofobia, além de ascensão e incitação de políticas autoritárias. O atual premiê holandês Dick Schoof foi empossado na coalizão de Geert Wilders, conhecido por sua islamofobia.