O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) ampliou o uso de tecnologias de vigilância contra civis, incluindo spyware e ferramentas para hackeamento de telefones de firmas israelenses, reportou na quinta-feira (29) o Washington Post.
O ICE comprou produtos de duas companhias israelenses, durante sua recente expansão aquisitiva, ao passo que a agência se converte na maior força de policiamento interno dos Estados Unidos, sob o regime repressivo de Donald Trump.
A Paragon Solutions, cujo software permite infiltração remota em aparelhos celulares, e a Cellebrite, que fornece meios para desbloquear dispositivos apreendidos e reordenar seu conteúdo automaticamente, estão entre os serviços contratados.
Colleen Putzel-Kavanaugh, analista associada do Instituto de Política Migratória, notou à agência Anadolu que “há uma proliferação de compartilhamento de dados, assim como um aumento no uso de tecnologias invasivas utilizadas por agentes do ICE”.
Outros setores, como a Receita Federal americana (IRS) e a Administração de Segurança Social, têm acesso aos dados, acessado ilegalmente para fins repressivos, acrescentou. Outros equipamentos incluem leitores ópticos, faciais e de placa de veículos.
“Portanto, o que isso implica em termos de privacidade, sobre como isso afeta cidadãos americanos, deixa uma série de dúvidas”, observou.
Oficiais anti-imigração de fato cultivaram extensiva colaboração com o regime israelense, via treinamento conjunto, viagens e intercâmbio de tecnologia.
Segundo relatório da ong Responsible Statecraft, a parceria inclui visitas de alto escalão, incluindo policiais de fronteira, e cursos e oficinas para desenvolver mutuamente táticas repressivas.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) organizou conferências com oficiais israelenses, conduziu treinamentos e forneceu a oficiais coloniais bolsas de pesquisa para reagir ao “extremismo”, confirmou um ex-membro da agência.
De acordo com as informações, oficiais do ICE treinaram regularmente junto da polícia de Israel, no Centro Nacional de Treinamento Urbano no Negev. Ambos trabalham ainda para “desenvolver tecnologias avançadas a demandas de segurança interna”.
Agentes do ICE participaram de ao menos oito turnês da chamada Liga Antidifamação — grupo de lobby sionista, voltado a difamar críticos a Israel —, entre 2013 e 2016.
Os relatos da aliança ICE-Israel coincidem com a escalada de operações de Trump contra comunidades americanas, incluindo execuções sumárias por agentes federais no estado de Minnesota e protestos subsequentes em todo país.
![Hackers, em 28 de dezembro de 2012 [Patrick Lux/Getty Images]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/01/GettyImages-158774123.webp)