A Foreign Press Association (FPA) reiterou que Israel não possui “qualquer justificativa de segurança” para continuar a impedir acesso de repórteres estrangeiros na Faixa de Gaza, após a Suprema Corte israelense adiar novamente sua deliberação sobre um petição por liberdade de imprensa.
As informações são da agência de notícias Anadolu.
Israel impede a entrada de equipes estrangeiras em Gaza sitiada desde que deflagrou seu genocídio, em outubro de 2023, apesar de sucessivos pedidos da FPA e outras entidades para suspender as restrições.
O tribunal tem adiado uma decisão sobre a matéria mês a mês, com a última prorrogação nesta semana.
“A FPA está profundamente decepcionada com o fato de que a Suprema Corte israelense mais uma vez adiou sua decisão sobre nossa petição, por acesso livre e independente de imprensa em Gaza”, declarou o grupo em nota na terça-feira (27).
A organização notou apreensão em particular de que a corte “parece ter sido persuadida por argumentos supostamente securitários do Estado, apresentados a portas fechadas e sem presença de nossos advogados”.
“Agir em segredo não nos dá qualquer chance de rebatermos os argumentos ou dar fim ao fechamento contínuo, arbitrário e indeterminado a jornalistas estrangeiros”, prosseguiu a nota. “Nossos advogados deixaram claro aos juízes que não existe qualquer justificativa securitária para a proibição generalizada de Israel a jornalistas estrangeiros, ou para negar o livre acesso a Gaza”.
A associação argumentou, por exemplo, que trabalhadores humanitários e oficiais podem entrar no enclave.
“O direito do público à informação não deve ser reduzido a uma consideração posterior”, concluiu o comunicado, ao instar a corte a reaver o adiamento.
Em 21 de janeiro, um ataque israelense matou três repórteres em Gaza, com um total de 260 vítimas dentre a categoria desde outubro de 2023.
Organizações de mídia alertam que o embargo israelense impede a cobertura em campo, de maneira independente, seja sobre o conflito ou a questão humanitária.
Ao menos 71.600 palestinos foram mortos e 171.400 feridos pela campanha israelense no período de dois anos, incluindo 492 mortos e 1.350 feridos em violações do cessar-fogo, firmado junto ao Hamas em outubro de 2025.
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