Cerca de cem pessoas foram presas no sábado (24) por protestarem em frente ao presídio de Wormwood Scrubs, na zona oeste de Londres, em reivindicação dos direitos de Umer Khalid, de 22 anos, conforme promessas da diretora Amy Frost sobre o devido tratamento do prisioneiro político em sua custódia.
A ong Prisoners for Palestine reafirmou: “Na noite passada [sábado], vimos uma resposta violenta e desproporcional da polícia a manifestações em frente a Wormwood Scrubs, à medida que Umer entrou em seu segundo dia de greve de sede”.
Manifestantes pró-Palestina, incluindo aposentados, sofreram socos e pontapés, além de serem imobilizados com o rosto contra o asfalto. Um vídeo flagrou um comandante local desferindo socos contra um manifestante algemado.
As prisões, segundo a ong, expõem a fragilidade e os temores do Estado britânico. Para os organizadores: “Nossos prisioneiros mostram que cela alguma pode parar a resistência e, do lado de fora, que nenhuma violência nos fará parar de protestar pela Palestina”.
Centenas se comprometeram a seguir com atos pela quebra de contratos britânicos com a fabricante de armas israelenses Elbit, após sucessivas greves de fome.
Segundo a nota, “a repressão somente nos torna mais fortes”.
A polícia justificou sua violência por suposto trespasse das barricadas. Uma testemunha, porém, caracterizou o pretexto como “absurdo”: “Nada diz que não poderíamos estar ali, uma entrada de visitantes sem guardas. Ninguém nos pediu para sair e não bloqueamos a passagem das equipes prisionais. De fato, eu mesmo vi um guarda entrando pelo acesso que a polícia nos acusou de bloquear”.
Umer — paciente de Distrofia Muscula de Limb-Girdle, condição genética rara — mantém greve de fome e sede como parte da campanha da Prisoners for Palestine no Reino Unido, contrária às prisões políticas de ativistas pró-Palestina.
Sua greve de fome supera uma quinzena. Devido a sua condição genética, Umer parou de andar no 12º dia sem se alimentar.
Umer segue acusado de participar de um protesto que incidiu a uma base da Força Aérea Real (RAF), em que duas aeronaves foram pichadas com tinta vermelha, como alusão à cumplicidade britânica com o genocídio israelense em Gaza.
Dados de transponder publicados em meados de 2025 revelaram que aviões israelenses para reabastecimento de combustível pousavam na base antes de seguir a Gaza. Um dos aviões foi flagrado em dois incidentes de crime de guerra, após passar pela base.
Em um dos casos, em outubro de 2024, a aeronave estava presente em um bombardeio contra um complexo residencial em Beit Lahiya, no norte de Gaza, com 73 mortos.
Apesar de suposto cessar-fogo, de outubro passado, Israel mantém ataques contra Gaza há mais de dois anos, com 71 mil mortos, 171 mil feridos e dois milhões de desabrigados. As vítimas são, em maioria, mulheres e crianças.
O Estado israelense é réu por genocídio no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia, sob denúncia sul-africana deferida em janeiro de 2024. Estados e corporações cúmplices podem ainda ser implicados no processo.
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