Tensões voltaram a tomar o relacionamento entre Washington e Tel Aviv, no que concerne arranjos do pós-guerra para governança em Gaza, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um Comitê Executivo sob seu chamado Conselho de Paz para o enclave palestino.
Conforme o jornal israelense Maariv, neste domingo (18), a iniciativa de Trump deve seguir adiante, sem expectativas, contudo, de que Catar e Turquia sejam excluídos de qualquer panorama administrativo relacionado a Gaza.
De acordo com a análise, a próxima etapa será marcada por uma “batalha silenciosa” por poderes, mandatos e autoridade decisória, com enfoque em que efetivamente governará Gaza e quem exercerá apenas um papel consultivo.
Israel deve tentar diluir ou marginalizar o plano dos Estados Unidos, embora Trump insista em mantê-lo. Para o Maariv, Gaza arrisca se tornar uma arena de múltiplos agentes, e não mais de disputas binacionais israelo-palestinas.
Em paralelo, o noticiário americano Axios citou uma fonte oficial ao confirmar que a Casa Branca, de fato, “contornou” eventuais ressalvas do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — sob mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI).
A fonte notou que assessores de Trump demonstraram pouca paciência com as objeções de Netanyahu, ao ressaltar: “Se ele quiser tratar de Gaza, será nos nossos termos”.
O gabinete de Netanyahu se queixou que não houve coordenação com Israel — potência ocupante na Faixa de Gaza sitiada — para formação do Conselho Executivo. Conforme o comunicado, o chanceler Gideon Saar tratará da matéria com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Em sua primeira resposta aberta aos avanços da Casa Branca, Netanyahu convocou uma reunião pela manhã de seu Gabinete de Segurança, para discutir implicações dos nomes anunciados por Washington.
Gaza, neste entremeio, segue destruída, após dois anos de genocídio israelense, com ao menos 71 mil mortos e 171 mil feridos, além de dois milhões de desabrigados, sobretudo mulheres e crianças.
Apesar de um acordo de cessar-fogo, implementado a partir de outubro passado, Israel manteve ataques, com 464 mortos e 1.280 feridos desde então.
Nesta semana, ao ignorar violações e ostracizar igualmente vozes palestinas, o emissário americano Steve Witkoff anunciou a “segunda fase” do acordo, com foco em questões de gestão e segurança, incluindo desarmamento da resistência.
Trump, neste sentido, autonomeou-se presidente do chamado Conselho de Paz, formado também por Tony Blair, ex-premiê britânico Tony Blair, e Ajay Banga, presidente do Banco Mundial. O órgão — denunciado por restaurar o sistema de mandatos coloniais do século XX — deve ser a última instância das questões decisórias no enclave palestino.
LEIA: Hezbollah rejeita negociações diretas dos EUA, ao citar frustrações do passado
![Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém ocupada, em 16 de outubro de 2025 [Alex Kolomoisky/AFP via Getty Images]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/01/GettyImages-2240957624.webp)