Toques de recolher, invasões militares e pogroms conduzidos por colonos ilegais de Israel intensificaram pressão contra civis palestinos em toda a Cisjordânia, incluindo restrições de movimento, deslocamento em massa e falta de serviços básicos, alertou nesta quinta-feira (22) o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), segundo informações da agência Anadolu.
Cerca de 25 mil palestinos na chamada área H2 de Hebron (al-Khalil) seguem submetidos a toque de recolher e impedimentos de ir e vir, após Israel lançar uma nova operação de larga escala em 19 de janeiro.
As ações restringiram também acesso a alimentos, cuidados de saúde e educação, notou a ONU. Residentes sofrem com estradas bloqueadas, franco-atiradores nos telhados das casas e detenções generalizadas.
Estima-se ao menos 7.200 estudantes compelidos ao ensino remoto.
O exército colonial voltou a justificar as ações para “desmantelar infraestrutura militante”, na tentativa de apreender supostas “armas ilegais”.
Entre 6 e 19 de janeiro, ao menos dois palestinos, incluindo um menino de 15 anos, foram mortos por soldados israelenses na Cisjordânia, além de 87 feridos.
Um palestino foi ainda baleado enquanto dirigia com sua família em Hebron. A princípio, soldados israelenses buscaram acusá-lo de tentativa de atropelamento, no entanto, sem evidências. O incidente segue sob inquérito interno.
Outra fatalidade ocorreu durante invasão à aldeia de Al Mughayyir, onde forças ocupantes dispararam munição real contra residentes que deixavam as preces de sexta-feira.
Outra incursão militar incidiu à Cidade Velha de Nablus, com 26 feridos, bem como prisão de jornalistas e paramédicos, confirmou o Crescente Vermelho.
A agência da ONU reportou também assédio e ataques de colonos, deslocando ao menos cem beduínos e pastores de cinco comunidades, somente na última quinzena, na região de Ras ‘Ein al ‘Auja, perto de Jericó.
Ao menos 77 famílias se viram forçadas a desmantelar habitações sob ataques coloniais ao longo da madrugada, incluindo danos a propriedades.
No período, a agência registrou ao menos 55 pogroms, com 30 palestinos feridos. Ações alvejaram igualmente sistemas de água e escolas, ao interromper serviços a dezenas de milhares de palestinos.
Vinte e sete estruturas palestinas foram demolidas, com 50 deslocados, entre os quais 23 crianças, sob pretexto de falta de alvará indeferido por autoridades coloniais. Duas outras casas foram demolidas como medida punitiva, confirmou a nota.
Tensões escalaram em Jerusalém Oriental nesta semana, após tropas de Israel invadirem e demolirem estruturas de um centro de saúde da Agência da ONU para a Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), no bairro de Sheikh Jarrah.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou as ações: “Tais medidas violam a proteção a premissas das Nações Unidas e constituem um empecilho à implementação do claro mandato da Assembleia Geral para operações da UNRWA”.
O impacto humanitário supera incidentes armados. Mais de 72 mil famílias camponesas, ou dois terços da população rural palestina, precisam de ajuda urgente para sobreviver, devido a perdas, restrições e carestia, estimou uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
O Programa Alimentar Mundial (PAM) registrou contração da economia da Cisjordânia em 13%, entre 2023 e 2025, com aumento do desemprego a 28.5% da população.
Segundo o alerta da ONU, a combinação entre operações militares, ataques de colonos, demolições e perdas econômicas segue elevando índices de deslocamento em massa e aprofundando demandas humanitárias em toda a Cisjordânia ocupada.







