clear

Criando novas perspectivas desde 2019

ONU denuncia Israel por atacar escritório em Jerusalém, contra a lei internacional

23 de janeiro de 2026, às 19h15

Forças israelenses demolem estrutura em sede da UNRWA em Jerusalém ocupada, em 20 de janeiro de 2026 [Mostafa Alkharouf/Agência Anadolu]

Philippe Lazzarini, comissário-geral da Agência das Nações Unidas para a Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), denunciou uma invasão de tropas israelenses à sede do órgão em Jerusalém ocupada, incluindo demolição de estruturas.

Segundo comunicado de Lazzarini na rede social X (Twitter), nesta terça-feira (20), a ação constitui “desafio deliberado à lei internacional”.

“Uma nova escalada, em desafio deliberado à lei internacional, incluindo contrariamente às imunidades das Nações Unidas, pelo Estado de Israel”, ressaltou Lazzarini.

“Mais cedo, nesta manhã, soldados israelenses invadiram nossa sede, um local da ONU, em Jerusalém Oriental. Tratores entraram no complexo e começaram a demolir edifícios, sob escolta de deputados e um membro do governo”, acrescentou.

Para o oficial, Israel deve, como todos os membros da ONU e países comprometidos com a lei internacional, “proteger e respeitar a inviolabilidade de nossas premissas”.

Conforme Lazzarini, trata-se de uma campanha para eliminar a pauta dos refugiados. Em 12 de janeiro, em incidente paralelo, forças israelense invadiram e fecharam uma clínica da UNRWA também em Jerusalém ocupada.

Tel Aviv anunciou ainda planos para cortar água e eletricidade de instalações da UNRWA, incluindo escolas e centros de saúde, dentro das próximas semanas.

“Tais ações, junto de ataques incendiários e desinformação em larga escala, contrapõem diretamente a decisão de outubro do Tribunal Internacional de Justiça, que reafirmou que Israel tem o dever, sob a lei internacional, de permitir nossas operações, e não as impedir ou frustrá-las”, destacou.

“Não pode haver exceções. Este precisa ser um grito de alerta”, insistiu. “O que acontece hoje à UNRWA pode transcorrer amanhã a qualquer outro órgão internacional ou mesmo missão diplomática, seja na Palestina ocupada ou qualquer outra parte do mundo”.

“A lei internacional está sob ataque cada vez maior, por tempo demais, e arrisca se tornar irrelevante na falta de resposta dos Estados que a subscrevem”, concluiu.