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Israel mantém Rafah fechada, ao impedir acesso de comitê executivo

23 de janeiro de 2026, às 19h07

Comboios assistenciais aguardam autorização para entrar em Rafah, sob controle militar de Israel, no lado egípcio da fronteira, em 6 de agosto de 2025 [Mohamed Elshahed/Agência Anadolu]

Israel decidiu manter fechada a travessia de Rafah, no extremo sul de Gaza, ao impedir a entrada do novo comitê administrativo, empossado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao território.

A ação sucede divergências entre Tel Aviv e Washington sobre os nomes do comitê, assim como o eventual papel de Catar e Turquia. Informações indicam que não há data para que o órgão inicie seus trabalhos devido aos obstáculos postos por Israel.

Segundo o jornal israelense Yedioth Ahronoth, em reportagem desta segunda-feira (19), a decisão para não abrir Rafah foi tomada na noite anterior, durante reunião de alta cúpula do governo ocupante, presidida pelo premiê Benjamin Netanyahu.

Uma fonte sênior em Tel Aviv alegou que incluir enviados turcos e cataris no comitê “não era parte do acordo original”. Segundo a fonte, tampouco está claro quais poderes o novo órgão terá, bem como suas incumbências exatas.

O oficial repetiu que “a inclusão de Turquia e Catar vão contra a vontade de Netanyahu” e insistiu que a medida seria “vingança” do emissário americano Steve Witkoff e do genro e assessor de Trump, Jared Kushner, por não querer abrir Rafah antes da entrega do último corpo israelense supostamente mantido em Gaza.

Gaza, neste entremeio, segue destruída, após dois anos de genocídio israelense, com ao menos 71 mil mortos e 171 mil feridos, além de dois milhões de desabrigados, sobretudo mulheres e crianças.

Apesar de um acordo de cessar-fogo, implementado a partir de outubro passado, Israel manteve ataques, com 464 mortos e 1.280 feridos desde então.

Na semana passada, ao ignorar violações e ostracizar vozes palestinas, Witkoff confirmou início da “segunda fase” do acordo, com foco em questões administrativas e securitárias, incluindo desarmamento da resistência.

O comitê executivo a Gaza deve subjugar-se ao chamado Conselho de Paz, ao qual Trump autonomeou-se presidente, ao envolver também o ex-premiê britânico Tony Blair, e Ajay Banga, presidente do Banco Mundial.

O órgão — denunciado por retomar o sistema de mandatos coloniais do século XX — deve ser a última instância das questões decisórias no enclave palestino.