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O declínio da estratégia imperialista contra o Irã

20 de janeiro de 2026, às 05h17

Manifestantes atendem chamado de Teerã por protestos contra eventual intervenção dos Estados Unidos, na praça Enghelab da capital, em 12 de janeiro de 2026 [Fatemeh Bahrami/Agência Anadolu]

Entre 28 de dezembro de 2025 e 8 de janeiro de 2026, o Irã foi atingido por uma série de atentados, sabotagens e ações violentas em seu território. Explosões, assassinatos seletivos, ataques a infraestruturas e operações cibernéticas deixaram centenas de mortos e um rastro de destruição, criando deliberadamente um clima de medo e instabilidade social.

Esses acontecimentos não foram espontâneos. Inserem-se no padrão clássico das operações secretas de desestabilização, historicamente associadas à atuação da CIA e do Mossad, como parte da guerra híbrida conduzida contra Estados que resistem à ordem imperialista e sionista.

Foi nesse ambiente artificialmente inflado que Donald Trump voltou a ameaçar um ataque militar direto dos Estados Unidos contra o Irã. Essas ameaças, porém, não foram nenhuma novidade, mas a continuidade de uma estratégia de coerção multidimensional, cujo objetivo permanece o mesmo há décadas: enfraquecer internamente o Irã e desmontar sua soberania política.

Guerra econômica, sanções, intimidação militar, operações secretas, manipulação da informação, isolamento diplomático e deslegitimação política têm sido amplamente empregados por Israel e Estados Unidos. Quase todas as ferramentas do arsenal imperialista e sionista foram utilizadas, com exceção de uma invasão em larga escala. O que se observa hoje, no entanto, não é uma estratégia verdadeiramente eficaz, mas uma escalada alimentada pela frustração e pelo declínio estrutural do poder de Washington.

Apesar da intensidade da ofensiva, o objetivo central fracassou. O Irã não colapsou. Seu sistema político segue funcional. Sua postura estratégica permanece intacta. Suas instituições resistiram. Mais do que isso, a soberania nacional continua sendo um fator de coesão, mesmo diante de tensões internas. A chamada “mudança de regime” por coerção externa mostrou-se politicamente inviável.

É nesse ponto que se explica o recuo, ainda que temporário, da ameaça de ataque direto. Não se trata de prudência nem de respeito ao direito internacional. O fator decisivo é outro: um ataque dos Estados Unidos ao Irã colocaria o regime sionista diante de perdas potencialmente catastróficas.

A experiência recente já deixou isso evidente. Na guerra dos 12 dias, em junho de 2025, a resposta iraniana atingiu profundamente os territórios palestinos ocupados, expondo as limitações reais dos sistemas de defesa antimísseis israelenses. Desde então, o Irã deixou claro que qualquer nova resposta será superior em alcance, intensidade e duração.

O fato central é simples e incômodo: Israel não está em condições de se defender de uma campanha prolongada de mísseis iranianos. Sistemas como Domo de Ferro, Flecha e Estilingue de Davi foram concebidos para cenários limitados, não para ataques massivos, sustentados e com saturação contínua. Em um novo confronto, centros urbanos, infraestruturas estratégicas, bases militares e polos econômicos estariam diretamente expostos e seriam destruídos.

Nesse cenário, o risco deixa de ser apenas militar e assume caráter existencial. Um conflito aberto com o Irã poderia abalar os pilares do projeto sionista, cuja sobrevivência depende da percepção de superioridade militar permanente e da capacidade de manter a guerra longe de seu próprio território. Pela primeira vez de forma explícita, a guerra retornaria ao coração do regime de ocupação.

Os Estados Unidos compreendem essa equação. Trump, cuja lógica política privilegia golpes rápidos e midiáticos, não demonstra disposição para sustentar uma guerra longa, regionalizada e de desfecho imprevisível. Um ataque inicial poderia ocorrer, mas a resposta iraniana arrastaria Washington e Tel Aviv para um conflito fora de controle.

O adiamento do ataque, portanto, não representa abandono da opção militar, mas um ajuste tático. As sanções continuam. A pressão política permanece. A militarização da região se intensifica. As operações encobertas seguem como instrumento privilegiado de desgaste.

A realidade, porém, é cada vez mais clara: a coerção imperialista não produz obediência. Produz resistência, escalada e instabilidade regional. O poder imperial dos Estados Unidos pode impor sofrimento, mas não pode subjugar indefinidamente uma sociedade cuja legitimidade se funda na independência, na resistência e na dignidade nacional.

É por isso que a guerra anunciada não aconteceu. Não por paz, mas por limite.

Por enquanto.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.