Torcida do Celtic protesta contra transferência milionária a clube de Israel

Reem Aouir
30 minutos ago

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Torcedores do Celtic FC com bandeiras palestinas, durante partida contra o Atlético de Madrid pela Liga dos Campeões da UEFA, em Madrid, na Espanha, em 7 de novembro de 2023 [Burak Akbulut/Anadolu via Getty Images]

Torcedores do time de futebol escocês Celtic seguem em protesto pelo cancelamento de um acordo de estimado em £2 milhões (US$2.68 milhões) com clube israelense Maccabi Netanya, para transferência do atacante Jocelin Ta Bi.

Fãs e ativistas alertam que o Celtic não deveria evitar qualquer transação financeira com empresas radicadas em Israel, em meio ao genocídio em Gaza, ainda em curso, à medida que milhões de torcedores em todo mundo se mobilizam por um boicote esportivo contra Israel.

“Não se trata de uma mera janela de transferência”, comentou a Campanha Palestina por Boicote Cultural e Acadêmico (PACBI, do inglês). “Clubes israelenses não são entidades desportivas neutras. O Celtic deve se negar a fazer negócios com um time que representa o apartheid israelense, e seu regime que conduz um genocídio em Gaza, com dezenas de milhares de mortos, incluindo mais 800 atletas, para além da destruição sistemática de toda a infraestrutura desportiva do território palestino”.

Usuários nas redes sociais ressaltaram que o Maccabi Netanya é propriedade da firme de investimentos Aliya Capital Partners, cujo fundador e diretor executivo tem lugar cativo no conselho da Xtend Defense, fabricante de drones militares israelenses que alimentam as forças ocupantes e suas violações.

“Isso é um insulto aos palestinos, aos valores do clube e seus torcedores, que praticam e seguem a campanha BDS [Boicote, Desinvestimento e Sanções] em seu dia a dia, como questão de princípios”, destacou o grupo Scottish Sport for Palestine.

Fãs do Celtic se tornaram conhecidos por seu ativismo pró-Palestina, sobretudo a torcida organizada conhecida como Brigada Verde, cujas expressões de solidariedade atraíram a atenção internacional, incluindo ações disciplinares da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA).

‘O clube abandonou seus valores’

Embora a Brigada Verde não tenham divulgado notas sobre a transferência em particular, diversos torcedores, em âmbito pessoal, não hesitaram em ressoar sua indignação. Nas redes sociais, a ira da torcida se tornou palpável.

Alguns usuários acusaram o Celtic de “se vender”, outros prometeram boicotá-lo caso a transação siga adiante.

“Que o Celtic faça a coisa certa e gaste seu dinheiro em uma zona sem genocídio”, postou um usuário. Outro disse: “Este acordo ressalta o descolamento entre o atual conselho do clube e os anseios do torcedor médio. Este acordo tem de ser rescindido imediatamente. Este atleta infeliz tampouco será aceito pela maioria dos fãs”.

O Celtic buscou não reagir à indignação online, tampouco conversou com a imprensa.

Um torcedor expôs ainda a cultura das arquibancadas do Maccabi Netanya, com cantos altamente problemáticos da torcida em Israel. Em outubro, a campanha Kick It Out Israel confirmou aumento rápido na incidência de cantos racistas nos estádios israelenses. De fato, torcedores do Maccabi Netanya receberam medalha de bronze no quesito racismo, abaixo apenas do Beitar Jerusalem e Maccabi Tel Aviv.

O fórum do Reddit para o clube escocês igualmente abundou em protestos: “O conselho não poderia ser mais anti mesmo que tentasse”.

Para muitos fãs de futebol, que traçam paralelos entre as lutas da Palestina, por um lado, e Irlanda e Escócia, por outra, contra o colonialismo, conduzir negócios com instituições israelenses representa uma contradição fundamental.

Houve quem advertisse que a transação seria equivalente a “financiar o genocídio”. Para um torcedor: “Logo soube que seria má notícia com um clube israelense, ainda assim — p*ta m*rda — isso é desprezível. O Celtic está, na prática, financiando um genocídio caso assine essa transação”.

Para além dos protestos, a torcida lançou uma petição, que rapidamente ganhou tração, em nome dos valores tradicionais do clube.

O organização Scotland for Palestine emitiu uma nota no jornal The National, ao observar que o time “nasceu da fome e da injustiça”, ao asseverar apoio a imigrantes irlandeses na zona leste de Glasgow.

“O que pensarão os torcedores, que não deixaram as ruas pela Palestina, quando verem seu suado dinheirinho investido na ocupação e no apartheid, em um regime que comete genocídio? Este clube nasceu da fome e da injustiça e seus torcedores seguem firmes ao lado do povo da Palestina — isto é claro para quem quiser ver. O Celtic FC tem recursos o bastante para buscar jogadores em outro lugar”.

Publicado originalmente em inglês pela rede Middle East Eyehttps://www.middleeasteye.net/trending/celtic-fans-urge-club-cancel-ps2m-transfer-deal-israeli-club, em 9 de janeiro de 2026

 

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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