Após reportagem do Jewish Chronicle de que cerca de 30 licenças de exportação militar a Israel seriam “desobstruídas” pelo Reino Unido, e que negociações com o Estado colonial foram retomadas, a Anistia Internacional condenou o movimento.
Para Kristyan Benedict, diretor de resposta de crise do escritório britânico da organização: “Os comentários de Peter Kyle, secretário de Estado para Negócios e Comércio, ao sugerir que o governo liberará as vendas de armas a Israel são aterradores”.
“Não devemos nos enganar pelo diz-que-me-diz sobre ‘cessar-fogo’ ou ‘paz’, em especial quando se fala muito de uma ‘fase dois’ sem que a ‘fase um’ sequer tenha existido”, disse Benedict, em alusão às violações do acordo por parte de Israel.
“O genocídio israelense em Gaza não parou. As mortes continuam”, reiterou. “O bloqueio ilegal segue de pé, assim como seu sistema de apartheid”.
“Sejamos claros”, acrescentou, “o Reino Unido jamais baniu por completo as vendas, em primeiro lugar. Exportações de componentes a jatos militares F-35 prosseguiram — jatos usados por Israel no genocídio ainda em curso contra os palestinos”.
Benedict notou os processos internacionais contra Israel — réu por genocídio no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, com o premiê, Benjamin Netanyahu, foragido sob mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), na mesma cidade.
“Em julho de 2024”, observou Benedict, “o TPI instruiu todos os Estados a ‘não conceder qualquer ajuda ou assistência’ à manutenção das condições criadas pela presença ilegal de Israel nos territórios palestinos ocupados”.
“Vincular a decisão a acordos comerciais ou aos planos de Donald Trump [presidente dos Estados Unidos], em vez de obrigações do Reino Unido sob a lei internacional e o juízo de Haia, é altamente problemático e revelador das verdadeiras prioridades do governo. Tais decisões devem se embasar no direito, não em politicagem”, argumentou.
“Londres não pode afagar Israel enquanto este insiste em aprofundar sua ocupação ilegal e entrincheirar seu apartheid”, concluiu a Anistia.
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