A Organização das Nações Unidas (ONU) reportou nesta segunda-feira (12) que a Faixa de Gaza chegou a níveis alarmantes de desnutrição infantil, sob cerco de Israel, com quase 95 mil casos no último ano, agravados por um inverno severo que erodiu frágeis e parcos ganhos humanitários, reportou a agência de notícias Anadolu.
Ao mencionar dados do Escritório de Coordenação para Assuntos Humanitários (OCHA), Stephane Dujarric, porta-voz da ONU, confirmou em coletiva de imprensa: “As condições humanitárias em Gaza seguem precárias”.
Dujarric reiterou que as agências responsáveis pela distribuição de alimentos e cuidados relevantes continuam a detectar grandes números de crianças em carência urgente.
“Nossos parceiros humanitários, no último mês, examinaram mais de 76 mil crianças, ao identificarem cerca de 4.900 casos de desnutrição aguda, incluindo ao menos 860 casos de desnutrição aguda grave”, observou. “Isso leva o total, do ano passado, a quase 95 mil casos”.
Parceiros da ONU, acrescentou, chegaram a fornecer tapumes, tendas e cobertores a 28 mil famílias, mas ganhos seguem prejudicados pela conjuntura. “Cerca de 1.1 milhão de pessoas precisam de ajuda imediata, à medida que tempestades continuam a danificar e destruir boa parte dos abrigos por ora existentes”.
“Nossos parceiros ressaltam que tendas são uma solução provisória e que mais insumos, incluindo ferramentas, cimento e maquinário para limpar destroços, bem como recursos contínuos, são fundamentais para avançar da emergência à recuperação”.
Ao comentar o impacto do clima sobre as crianças, notou Dujarric: “Desde o cessar-fogo, até o fim do ano, nossos parceiros distribuíram às crianças cerca de 310 mil conjuntos de roupas para o inverno, bem como 112 mil pares de sapatos. Montaram ainda 150 tendas especializadas em todo o enclave, como espaço seguro às crianças”.
Dujarric estimou 18 novos centros provisórios de ensino, destinados a 35 mil crianças de Gaza: “O total desses espaços hoje é 440, para cerca de 268 mil crianças”.
No entanto, lamentou: “Suprimentos educacionais seguem tendo entrada negada pelas autoridades israelenses, que argumentam que o ensino não é uma atividade crítica, como designado pelos termos da primeira fase do cessar-fogo”.
“Acreditamos se tratar de uma atividade crítica”, reiterou, ao reivindicar “acesso rápido e desimpedido para que nossos parceiros possam acelerar seus esforços, para impedirem assim a maior deterioração das condições e aliviar o sofrimento do povo de Gaza”.
Questionado sobre as violações israelenses do cessar-fogo, repetiu Dujarric: “Queremos ver o fim da destruição do que quer que tenha sobrado em Gaza. Queremos que as partes [sic] sigam adiante à fase dois de reconstrução”.
Um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas entrou em vigor em 10 de outubro, após dois anos de genocídio e cerco israelense, com ao menos 71 mil mortos e 171 mil feridos, sobretudo mulheres e crianças.
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![Menina palestina de cinco anos com desnutrição aguda, devido ao cerco de Israel, em Shuja’iyya, Gaza, em 28 de julho de 2025 [Mohammed Y. M. Al-yaqoubi - Anadolu Agency]](https://www.monitordooriente.com/wp-content/uploads/2026/01/AA-20260101-40130785-40130779-AAS_IMAGES_OF_THE_YEAR_CONTEST_KICKS_OFF_GAZA_HUNGER.webp)