Um bebê recém-nascido morreu na manhã de sábado (10) por exposição ao frio na Faixa de Gaza, sob cerco de Israel. O enclave, após dois anos de bombardeio, vive uma crise de moradia, que se agrava pelo inverno, segundo informações da agência Anadolu.
A criança, de sete dias de idade, faleceu durante uma tempestade, incluindo ventanias. A família se abrigava em uma tenda improvisada em Deir al-Balah, onde deslocados à força se viram ao relento ao durante a madrugada.
“Tentamos tudo que podíamos”, disse o pai, “mas não havia com o que nos aquecermos, não havia teto, não havia nada”.
Equipes de emergência tampouco conseguiram chegar à família. O pai enrolou a criança em um cobertor e correu a um hospital; no entanto, ao chegar, médicos advertiram que a temperatura corporal do bebê já estava em níveis críticos.
O bebê foi transferido ao Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, mas morreu horas depois.
No sábado (10), a Defesa Civil de Gaza confirmou que a tempestade de inverno danificou ou destruiu milhares de tendas, sobretudo na zona costeira, deixando refugiados expostos a ventos de até 60 km por hora.
Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil, vinculou a crise ao contínuo embargo de Israel à entrada de itens humanitários ou de reconstrução em Gaza. Para Basal, “não se trata de um desastre humanitário, mas uma emergência criada pelo homem”.
O genocídio israelense em Gaza matou ao menos 71 mil pessoas, sobretudo mulheres e crianças, além de 171 mil feridos, desde outubro de 2023. Apesar de suposto cessar-fogo, em vigor há três meses, ao menos 442 foram mortos e 1.200 feridos.
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