Autoridades de Israel notificaram formalmente representantes de comunidades beduínas e da prefeitura de al-Eizariya, a leste de Jerusalém, da intenção de impor um novo projeto de assentamento após 45 dias de notificação, confirmou nesta quinta-feira (8) o governo palestino da cidade ocupada.
As informações são da agência de notícias Anadolu.
Em nota, o governo confirmou que o prazo concerne o projeto “Tecido Vital”, como passo decisivo em aplicar a anexação ilegal israelense à área E1.
O projeto busca criar continuidade geográfica entre o assentamento de Maale Adumim e Jerusalém ocupada, ao cortar em duas a Cisjordânia e absorver quase 3% de suas terras ao esquema colonial de “Grande Israel”.
Oficiais palestinos alertam que o plano deve institucionalizar um sistema de segregação de tráfego, ao privar os palestinos da Rodovia 1 e desviá-los a um túnel subterrâneo perto do checkpoint de Zaeem.
A rodovia principal, portanto, será de uso exclusivo de colonos.
Outra repercussão é o maior isolamento das comunidades beduínas de Jabal al-Baba e Wadi al-Jamal e da aldeia de al-Eizariya, incluindo ameaça de demolição e evacuação de 43 estruturas recentemente notificadas.
O projeto chega a US$98 milhões, financiado por impostos palestinos retidos por Tel Aviv, sob ordens do militante colonial e ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
Para o governo em Jerusalém, o plano impõe “grave ameaça direta” à possibilidade de se estabelecer um Estado palestino contínuo. Neste sentido, o governo instou a comunidade internacional a ir além de notas de repúdio.
Israel aprovou o projeto ainda em 2012, incluindo uma zona industrial a noroeste da área, uma delegacia de polícia, um aterro sanitário, unidades residenciais a colonos, hotéis e mesmo um parque bíblico, além de outros espaços.
Partes do projeto já foram implementadas perto do muro do apartheid a leste de Anata, na direção da aldeia de Zaeem. Segmentos adicionais estão planejadas para tomar terras de Zaeem a al-Eizariya.
Ao longo dos anos, Israel emitiu diversas ordens para expansão de assentamentos em E1, com destaque a 3.500 unidades coloniais anunciadas em 2020, congeladas até então por pressão internacional.
Soldados e colonos mataram ao menos 1.103 palestinos em Jerusalém e Cisjordânia no contexto do genocídio em Gaza, além de 11 mil feridos e 21 mil presos arbitrariamente — muitos dos quais sem julgamento ou sequer acusação.
Em julho passado, em decisão histórica, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, reconheceu a ilegalidade da ocupação, ao instar evacuação imediata dos assentamentos — porém, sem ações até então.
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