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Israel autoriza vigilância em tempo real de palestinos na Cisjordânia

8 de janeiro de 2026, às 13h23

Soldados israelenses obstruem vias durante invasão de colonos à Cidade Velha de Hebron, no sul da Cisjordânia ocupada, em 20 de dezembro de 2025 [Amer Shallodi/Agência Anadolu]

O exército de Israel, via diretiva, autorizou o uso de aparatos de monitoramento eletrônico contra palestinos na Cisjordânia ocupada, ao formalizar sua vigilância em tempo real de civis sem qualquer acusação legal.

O decreto permite a autoridades ocupantes impor maiores restrições de movimento, sob “ordens administrativas”, aos palestinos, coagidos a usar aparelhos de rastreio, presos e indiciados caso se recusem.

Como medida de apartheid — isto é, discriminação racial —, o ministro da Defesa, Israel Katz, confirmou abertamente excluir da diretiva colonos judeus radicados ilegalmente na Cisjordânia ocupada.

A ordem coordena esforços do exército, polícia, agência de segurança interna Shin Bet e o Ministério da Justiça israelenses.

Organizações de direitos humanos notam que a política se impõe a civis submetidos a um sistema de controle administrativo de Israel, em um panorama que nega cotidianamente aos palestinos o devido processo e mesmo a presunção de inocência.

Palestinos sob vigilância já sofrem restrições de movimento e ameaças de detenção, sem julgamento ou mesmo acusação.

A nova ordem reflete o que o jornalista Antony Loewenstein descreve como o “laboratório Palestina”, por parte de Israel, um sistema no qual palestinos nativos são utilizados como cobaias a tecnologias militares e repressivas, então vendidas ao exterior.

Loewenstein argumenta que Israel exporta não apenas armas, mas um modelo de gestão e controle de “populações difíceis”, ao combinar poderio armado, vigilância em massa e dominação dos espaços.

A rede Al Jazeera reportou em documentário como checkpoints israelenses operam como áreas de experimento a “tecnologias remotas”, incluindo armas de inteligência artificial que disparam granadas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Nos postos de controle, civis são rotineiramente submetidos a revistas abusivas, além de coleta de dados particulares. Palestinos são então perfilados desde o alerta “vermelho”, incluindo jornalistas e ativistas, sob ameaça de assédio e perseguição.

A Al Jazeera registrou ainda parcerias às claras e de bastidores entre o apartheid e firmas de tecnologia, incluindo reconhecimento facial, softwares de análise de comportamento, drones, câmeras de circuito interno e spywares “testados em campo”.

Grupos de direitos humanos confirmam que a vigilância eletrônica e biométrica imposta aos palestinos constitui grave violação da lei internacional. Sob a Quarta Convenção de Genebra, são proibidas práticas discriminatórias contra uma população protegida, como vigilância e punição coletiva.

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