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Flotilha Global Sumud planeja nova missão a Gaza, cita urgências humanitárias

7 de janeiro de 2026, às 04h01

Embarcações da Flotilha Global Sumud, em Creta, na Grécia, em 16 de setembro de 2025 [Niccolo Celesti/Agência Anadolu]

A Flotilha Global Sumud planeja navegar novamente a Gaza, na primavera do Hemisfério Norte — segundo trimestre —, com ampla participação internacional, reportou Huseyin Durmaz, coordenador da missão na Turquia, à agência Anadolu.

Durmaz justificou a medida ao notar que termos do cessar-fogo seguem ignorados e que as carência humanitárias do território permanecem urgentes. Durmaz alertou que, apesar de centenas de caminhões prometidos, sob a trégua de outubro, somente 40 a 50 cargas entram em Gaza a cada dia.

Além disso, observou, muitos dos caminhões autorizados são comerciais, muito embora os residentes não tenham qualquer poder de compra. “Falamos de cidades plenamente destruídas, por conta de um genocídio”, acrescentou.

“Veremos uma nova missão nos próximos meses, com mais e novas iniciativas e maiores coalizões para levar socorro a Gaza”, reiterou Durmaz. “Chegamos a isso porque o cessar-fogo não foi implementado e as demandas seguem em aberto”.

Conforme Durmaz, Israel mantém esforços para expulsar os palestinos de Gaza, de modo a motivar uma mobilização contínua. “Isso nos encoraja a nos organizarmos, planejarmos e conduzirmos ações muito mais fortes e maiores, mais outra vez”.

Durmaz insistiu que a próxima missão deve incluir mais países do que as outras flotilhas, incluindo ao robustecer e renovar as equipes.

Para o ativista, as flotilhas ajudaram a promover sobre a questão palestina no passado, ao colaborarem na mobilização de uma “consciência global”.

“O que mais importa é levar a todos a ideia de que podemos fazer muita coisa por Gaza”, comentou Durmaz. “Queremos mostrar que ações globais são possíveis … e que nossas ações podem, sim, obter resultados”.

Israel atacou uma série de iniciativas pelo fim do cerco no último ano, incluindo confisco de carga e sequestro e deportação dos ativistas.

Em outubro, forças navais israelenses atacaram mais de 40 barcos da Flotilha Sumud e detiveram ao menos 450 ativistas, incluindo a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, com relatos de abusos e violações de direitos humanos.

Israel mantém um cerco militar a Gaza, lar de 2.4 milhões de pessoas, há quase 18 anos; seu bloqueio se intensificou em março último, com fechamento das fronteiras e embargo às remessas de comida e medicamentos.

Em Gaza, o genocídio conduzido por Tel Aviv — desde outubro de 2023 — matou mais de 70 mil e desabrigou dois milhões de pessoas, sob condições de fome e ampla destruição de sua infraestrutura. A maioria das vítimas são mulheres e crianças.

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