O grupo palestino Hamas alertou contra relatos da mídia israelense de que o regime ocupante planeja rescindir licenças operacionais de dezenas de entes beneficentes internacionais em Gaza e na Cisjordânia.
Segundo o Hamas, o cancelamento das licenças constitui nova grave escalada contra esforços humanitários essenciais aos palestinos carentes, sob genocídio e limpeza étnica conduzidos por Israel.
Em nota emitida na quarta-feira (31), a direção do movimento palestino advertiu para “desdém flagrante pela comunidade internacional e seu sistema humanitário”, como parte da campanha israelense para militarizar a assistência.
Neste domingo (4), Israel deu início às revogações, contra 37 entes internacionais que encaminham assistência crítica a Gaza, sob alegação de que não cumpriram requisitos sob novas regras de registro, conforme a rádio militar Kan.
Alertas emitidos desde a última semana estabelecem prazo para fim das atividades até o fim do primeiro trimestre.
Entre as ongs afetadas está a Médicos Sem Fronteiras (MSF), acusada — sem provas — de envolvimento de sua equipe com “atividades terroristas”.
O jornal israelense Haaretz desmente Tel Aviv, ao notar motivação política.
Para o Hamas, a ocupação busca converter a ajuda humanitária em meio de pressão e coação contra o povo palestino, sobretudo em Gaza.
O grupo voltou a conclamar da comunidade internacional, sobretudo a Organização das Nações Unidas, bem como órgãos de direitos humanos, para agir com urgência contra tais práticas, ao pressionar Israel e reverter a política.
O alerta destacou também demanda por impedir o uso da assistência como arma de guerra e instrumento de fome, ao notar clara violação da lei internacional.
Ações similares incidiram à Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA). Em 2024, o Knesset aprovou legislação para proibir suas operações, ao citar suposto envolvimento com a ação transfronteiriça do Hamas do ano anterior.
A acusação é condenada por analistas como propaganda de guerra e negada pela ONU e suas agências. Segundo as Nações Unidas, a UNRWA adere rigorosamente a critérios de neutralidade em situações de conflito.
Em Gaza, ao menos dois milhões de pessoas seguem desabrigadas, após dois anos de genocídio realizado por Israel, denunciado como tal no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia. Apesar de suposto acordo de cessar-fogo, ataques continuam.







