Embarcações da flotilha humanitária com destino a Gaza devem se reunir perto de Malta, para navegar juntos no Mar Mediterrâneo, com o objetivo de romper o cerco israelense ao enclave palestino, reportaram os organizadores nesta terça-feira (16).
As informações são da agência de notícias Anadolu.
“Mais de 50 navios da Flotilha Global Sumud já zarparam de vários portos de Itália, Líbia, Tunísia e Grécia”, informou em nota o Comitê Internacional pelo Fim do Cerco. “Os navios estão previstos para se reunirem perto de Malta, e partirem juntos à costa de Gaza”.
A organização, porém, não especificou datas.
A flotilha, com centenas de ativistas de dezenas de países, carrega suprimentos básicos, incluindo alimentos, medicamentos e fórmula para bebês e crianças.
“Muitos ativistas árabes e apoiadores estão a bordo, além de dezenas de figuras públicas, parlamentares, médicos e líderes comunitários de países do Norte da África”, destacou o comitê magrebino.
“Esta flotilha, dados seu tamanho e sua diversidade sem precedentes, deve constituir um ponto de virada nos esforços pelo fim do bloqueio israelense a Gaza”, acrescentou.
Entre tripulantes internacionais, estão a ativista sueca Greta Thunberg, o brasileiro Thiago Ávila, o ator irlandês Liam Cunningham e a ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau.
Duas iniciativas anteriores— com um barco cada: Madleen, em junho, e Handala, no mês seguinte — foram interceptadas ilegalmente por Israel. Ataques a drone contra barcos na Tunísia, na semana passada, não dissuadiram a flotilha atual.
Israel mantém embargo quase absoluto à assistência humanitária a Gaza, ao assumir o controle da distribuição mediante a chamada Fundação Humanitária de Gaza (GHF, em inglês), mecanismo militarizado responsável por mais de mil mortes.
As ações israelenses, investigadas como genocídio pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia, deixaram ao menos 64 mil mortos e dois milhões de desabrigados, sob cerco, destruição e fome, desde outubro de 2023.
No início de setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU), através do consórcio da Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC), declarou oficialmente a fome generalizada em Gaza, com centenas de milhares afetados.
LEIA: Genocídio em Gaza, o canal Ben-Gurion e a política de reconstrução – apagamento intencional
