O exército israelense destruiu cerca de 70% das ruas e da infraestrutura civil da cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia ocupada, durante quatro dias de operação militar, reportou no sábado (31) a prefeitura palestina, segundo informações da agência Anadolu.
“As forças da ocupação destruíram por completo ao menos 70% das ruas da cidade com aproximadamente um ponto devastado a cada um metro e meio, levando à destruição das redes de água e esgoto, assim como cabos de comunicação e luz, nas áreas demolidas — estimadas, a princípio, em cerca de 20 km”, reportou a agência de notícias Wafa, ao citar Bashir Matahen, diretor de Imprensa e Relações Públicas da prefeitura de Jenin.
- Uma visão dos danos causados pelo equipamento de construção do exército israelense na estrada Abu Bakr Al Siddiq enquanto os soldados israelenses continuavam suas operações no 5º dia emJenin, Cisjordânia em 1º de setembro de 2024 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]
- Uma visão dos danos causados pelo equipamento de construção do exército israelense na estrada Abu Bakr Al Siddiq enquanto os soldados israelenses continuavam suas operações no 5º dia emJenin, Cisjordânia em 1º de setembro de 2024 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]
- Uma visão dos danos causados pelo equipamento de construção do exército israelense na estrada Abu Bakr Al Siddiq enquanto os soldados israelenses continuavam suas operações no 5º dia emJenin, Cisjordânia em 1º de setembro de 2024 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]
- Uma visão dos danos causados pelo equipamento de construção do exército israelense na estrada Abu Bakr Al Siddiq enquanto os soldados israelenses continuavam suas operações no 5º dia emJenin, Cisjordânia em 1º de setembro de 2024 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]
- Uma visão dos danos causados pelo equipamento de construção do exército israelense na estrada Abu Bakr Al Siddiq enquanto os soldados israelenses continuavam suas operações no 5º dia emJenin, Cisjordânia em 1º de setembro de 2024 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]
- Uma visão dos danos causados pelo equipamento de construção do exército israelense na estrada Abu Bakr Al Siddiq enquanto os soldados israelenses continuavam suas operações no 5º dia emJenin, Cisjordânia em 1º de setembro de 2024 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]
“O abastecimento de água foi cortado em 80% da cidade e todo o campo [de refugiados], devido à destruição das redes e incapacidade das equipes técnicas de alcançá-las para redirecioná-las a outras áreas”, prosseguiu Metahen. “As equipes da prefeitura estão sem acesso às redes danificadas, apesar de suas tentativas, submetidas a disparos das forças israelenses”.
O oficial palestino destacou ainda que soldados “incendiaram partes do mercado central de vegetais de Jenin, e estimativas iniciais dos danos ao local e suas lojas indicam graves prejuízos, além da destruição de centenas de casas e veículos”.
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Nidal al-Obaidi, prefeito de Jenin, comparou a campanha israelense a um “terremoto”, ao prever danos estimados em 500 milhões de shekels (US$135.2 milhões).
Dentre as instalações deliberadamente destruídas, está um estádio municipal de futebol, confirmou a Associação de Futebol da Palestina, ao publicar vídeos dos danos ao campo e às arquibancadas, transformadas em ruínas por tratores militares.
Conforme a federação, o ataque constitui flagrante violação das normas internacionais no que diz respeito à proteção dos centros desportivos e do direito da população, sobretudo jovens, a praticar esportes.
A organização reforçou seus apelos a entidades globais para que sancionem a ocupação israelense por seus crimes de guerra e lesa-humanidade.
Em maio, durante o 74º Congresso da FIFA em Bangkok, Jibril Rajoub, presidente do órgão desportivo palestino, pediu “sanções apropriadas” contra todas as equipes israelenses —incluindo clubes e a seleção nacional.
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) adiou duas vezes a deliberação, primeiro a 31 de agosto e, nesta segunda-feira (2), novamente a outubro — porém, sem data específica até o momento.
O primeiro adiamento, em julho, permitiu à seleção israelense competir na fase de grupos do torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos de Paris.
A Confederação de Futebol Asiática (AFC) declarou apoio à solicitação palestina.
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No Brasil, coletivos pró-Palestina — como Frente Palestina São Paulo, Juventude Sanaúd, BDS Brasil, entre outros — lançaram uma campanha para que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol) se somem às denúncias.
A eventual suspensão de Israel na FIFA tem precedente.
Em 1961, a entidade desportiva baniu a África do Sul devido ao apartheid; em 1992, foi a vez da Iugoslávia, sob gestão sérvia, por suas violações nos Balcãs, após a estipulação de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em 2022, a FIFA e a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) — à qual Israel é filiado, apesar de ser situado na Ásia — agiram rapidamente para suspender a Rússia por sua invasão militar contra a Ucrânia.
A campanha de boicote ao apartheid israelense transcende os torneios da FIFA a outras federações esportivas, incluindo o Comitê Olímpico Internacional (COI).
Na última quarta-feira (28), o exército de Israel lançou sua maior ofensiva militar contra o norte da Cisjordânia desde 2002, com ataques às cidades de Tulkarm e Jenin e ao campo de refugiados de al-Far’a, na região de Tubas, deixando 22 mortos.
Tensões permanecem altas na Cisjordânia ocupado no contexto do genocídio em Gaza — com ao menos 40 mil mortos, 94 mil feridos e dois milhões de desabrigados em somente 11 meses. Na Cisjordânia, são 675 mortos, 5.400 feridos e 10.300 presos arbitrariamente.
Em 19 de julho, em decisão histórica, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia, determinou como ilegal que a ocupação de décadas de Israel nas terras palestinas, ao ordenar retirada imediata e reparações aos palestinos nativos.
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Israel ignora medidas cautelares do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) e resoluções de cessar-fogo do Conselho de Segurança das Nações Unidas ao manter suas operações indiscriminadas contra Gaza desde 7 de outubro.
O Estado israelense é réu por genocídio no tribunal em Haia, sob denúncia sul-africana, deferida em janeiro. Entre as medidas desacatadas, está a suspensão de sua campanha em Rafah, no extremo sul de Gaza, que abriga hoje até 1.5 milhão de palestinos.













