Reintegrar a Síria a Liga Árabe não levará à paz, alerta líder da oposição

Bader Jamous, presidente da Comissão de Negociação da Síria e eminente figura da oposição ao regime de Bashar al-Assad, advertiu nesta terça-feira (9) que o processo de normalização com a presidência em Damasco, após sua readmissão à Liga Árabe, não trará paz tampouco soluções à crise ainda vigente no Estado levantino.

As informações são da agência de notícias Anadolu.

Jamous esteve presente em uma coletiva de imprensa em Genebra, convocada pela Associação de Correspondentes das Nações Unidas (ACANU), na qual reiterou que a solução política requer justiça de transição e responsabilização pelas atrocidades cometidas em nome do regime.

“A normalização com o regime sírio sem chegarmos a uma solução política apenas dará capital e apoio internacional a Assad para que continue a impor seu domínio sobre a população”, alertou Jamous. “Será, portanto, ainda mais difícil conquistar uma mudança real na estrutura do Estado, obter justiça de transição e consolidar uma paz sustentável na Síria”.

Jamous insistiu que o regime permanece intacto e continua a prender opositores.

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Para uma solução política, reiterou Jamous, é preciso julgar perpetradores de “crimes de guerra e violações hediondas de direitos humanos”, ao construir um Estado livre, justo e democrático.

Sofrimento exacerbado

Jamous alertou que os novos avanços na Síria “fortalecerão a capacidade repressiva do regime e o ajudarão a implementar suas políticas opressivas, ao exacerbar, desta maneira, o sofrimento e as atrocidades às quais é submetido o povo sírio”.

Conforme o eminente opositor do regime, os contatos com a Turquia continuam, de modo que a Comissão de Negociação da Síria insiste que uma solução política deve estar de acordo com a Resolução 2254 de 2015 da Organização das Nações Unidas.

Segundo a porta-voz Jennifer Fenton, o emissário especial da ONU para a Síria, Geir Pedersen, acompanhou a decisão ministerial do Conselho de Estados da Liga Árabe, no domingo (7).

“O sr. Pedersen observou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que estamos diante de um momento decisivo nos esforços para avançar com o processo político e que vemos renovada atenção diplomática na Síria”, afirmou Fenton. “Esta atenção é importantíssima se podemos agir como conduíte e desobstruir os esforços para mover à frente o processo político”.

A Síria é assolada por guerra civil desde o começo de 2011, quando o regime de Assad reprimiu com inesperada brutalidade protestos populares por democracia.

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