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Israel insiste em assediar palestinos soltos após 40 anos de prisão

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Karim Younis, que passou 40 anos nas cadeias de Israel, é recebido por palestinos em Jerusalém após sua soltura, em 5 de janeiro de 2023 [Mostafa Alkharouf/Agência Anadolu]

Israel mantém assédio aos ex-prisioneiros palestinos que mais tempo passaram em suas cadeias – Karim e Maher Younis –, mesmo após sua soltura neste mês. Ambos serviram cada mais de 40 anos em custódia da ocupação.

A família reportou à agência Wafa, nesta segunda-feira (23), que soldados invadiram a casa de Karim na aldeia árabe-palestina de Ara, no território designado Israel, para confiscar bandeiras, fotografias e cartazes comemorativos.

Soldados detiveram a cunhada de Karim e convocaram ele e seu irmão a depoimento.

Os primos Karim e Maher Younis foram presos em 1983, acusados de assassinar um soldado de Israel nas colinas ocupadas de Golã, três anos antes.

O movimento Hamas destacou que, durante seus anos de prisão, Younis encarnou resistência e paciência. Seu exemplo, segundo o grupo radicado em Gaza, é motivo de orgulho e inspiração a todos os palestinos.

A invasão sucede em uma semana um ato semelhante contra a casa de Maher, então detido ao lado do irmão para ser interrogado em uma delegacia local. Maher foi liberado mais tarde.

Tropas ocupantes deram início ao assédio antes mesmo de sua soltura. Maher foi removido de sua cela sem aviso prévio, impedido de se despedir dos outros presos. Então, foi ameaçado de prisão e outras penalidades caso ignorasse ordens do ministro de Segurança Nacional israelense Itamar Ben-Gvir, político de extrema-direita, para não festejar com sua comunidade.

LEIA: Novas diretrizes de Israel isolam ainda mais os palestinos, alerta HRW

Maher juntou-se ao movimento Fatah ainda jovem. Israel o condenou junto do primo a pena de morte, por posse de armas e assassinato. A sentença foi reduzida a prisão perpétua e, em 2012, novamente mitigada via recurso a 40 anos de prisão.

Há hoje 4.700 palestinos nas cadeias de Israel, dos quais 551 servem pena perpétua, segundo a ong Clube dos Prisioneiros Palestinos.

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