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Parisienses expressam ‘choque’ com protestos curdos e confrontos na véspera do Natal

Protesto contra o recente ataque a tiros contra a comunidade curda na rua Enghien, em Paris, em 26 de dezembro de 2022 [Julien de Rosa/AFP via Getty Images]
Protesto contra o recente ataque a tiros contra a comunidade curda na rua Enghien, em Paris, em 26 de dezembro de 2022 [Julien de Rosa/AFP via Getty Images]

Paris se transformou em um campo de batalha no fim de semana. Protestos da comunidade turca tomaram as ruas e praças da capital francesa. Segundo a imprensa turca e parte da grande mídia europeia, atos convocados por apoiadores do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) – designados “terrorista” por Turquia, Estados Unidos e União Europeia – resultaram em ao menos 30 policiais feridos, às vésperas do Natal.

Os manifestantes marcharam ao Boulevard du Temple.

A imprensa turca – ligada ao governo de Recep Tayyip Erdogan – apontou que os presentes entoaram cantos pró-PKK e exibiram faixas e retratos dos líderes da organização.

A intervenção policial foi logo subjugada. Em Paris, é comum que manifestantes atirem pedras nos agentes da repressão que buscam contê-los com gás lacrimogêneo. As autoridades insistem que os protestos resultam em vandalismo contra ônibus, lojas e residências. Os manifestantes recorreram a fogos de artifício e sinalizadores para forçar sua descida ao centro da cidade.

Os confrontos se deflagraram após um ataque a tiros, perpetrado por um supremacista branco de 69 anos na sexta-feira (23), em um distrito movimentado da capital francesa, que deixou três mortos e três feridos.

O PKK enfrenta a Turquia para estabelecer um estado-nação ao longo da fronteira com a Síria e com o Iraque. Sua campanha já dura 35 anos, em meio a troca de acusações de violações graves de ambos os lados. O regime de Erdogan insiste que o PKK é responsável pela morte de mais de 40 mil pessoas.

Embora criminalizado, o grupo mantém presença em alguns países da Europa.

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‘Exploração política’

Em entrevista à agência Anadolu, o jornalista francês Jean-Michel Brun, editor-chefe do website Musulmansenfrance, alegou “exploração política” por parte dos manifestantes.

“Quando vemos as imagens destes protestos, nos quais pessoas começam incêndios, destroem carros e atiram projéteis contra agentes policiais, vemos que não se trata de uma manifestação de apoio às famílias das vítimas, mas sim questão de exploração política”, insistiu Brun.

“Espero que o povo e o governo da França não sejam ludibriados.”

O repórter francês reiterou a versão dos fatos segundo a qual os tumultos são responsabilidade de membros do PKK, considerados hostis à Turquia e seu governo. Brun corroborou a versão de que houve declarações de ódio ao povo turco em meio aos manifestantes.

Natal de angústia

Em entrevista à agência Anadolu, alguns residentes de Paris compartilharam apreensão sobre a violência e as tensões que tomaram a cidade desde o atentado.

“Quebraram tudo”, alegou um residente francês. “Caminhões, carros, motos, tudo”.

Uma testemunha afirmou “surpresa” com a violência nas ruas. Protestos em Paris, no entanto, são notórios por sua intensidade.

“É muito triste ver isso no dia do Natal”, lamentou a fonte.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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