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Saúde de prisioneiro político no Egito preocupa, confirma família após visitá-lo

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Vigília em solidariedade ao ativista anglo-egípcio e preso político Alaa Abdelfattah, em custódia do Egito, após este escalar sua greve de fome no início da COP27, em Londres, Reino Unido, em 6 de novembro de 2022 [Wiktor Szymanowicz/Agência Anadolu]

Familiares do cidadão anglo-egípcio e prisioneiro político Alaa Abdelfattah conseguiram visitá-lo na cadeia nesta quinta-feira (17), pela primeira vez em semanas.

Segundo os relatos, a saúde de Abdelfattah continua a deteriorar-se, ao passo que o blogueiro e ativista escalou sua greve de fome em meio à Conferência do Clima das Nações Unidas (COP27), realizada no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh desde a última semana.

As informações são da agência de notícias Reuters.

Abdelfattah supostamente afirmou em carta a sua família ter encerrado sua greve de fome, que atraiu atenção de líderes globais presentes na cúpula ambiental organizada no Egito.

O Presidente dos Estados Unidos Joe Biden e numerosos líderes europeus abordaram a questão junto do presidente e general Abdel Fattah el-Sisi, ao longo do evento internacional, sediado na região do Mar Vermelho.

“Alaa piorou bastante nas últimas duas semanas, mas pelo menos conseguimos vê-lo”, declarou sua irmã, Mona Seif, em sua conta do Twitter, após visitar a penitenciária de Wadi al-Natrum, a noroeste do Cairo. “Alaa precisava demais de sua família”.

Alaa Abdelfattah ganhou proeminência durante os levantes da Primavera Árabe, em 2011, que destituíram Hosni Mubarak. Mais tarde, Abdelfattah se tornou símbolo de dezenas de milhares de egípcios – de liberais a islamitas – que sofreram com a repressão militar.

Em protesto a sua prisão arbitrária, Abdelfattah aderiu à greve de fome em 2 de abril de 2022. Recentemente, obteve cidadania britânica, medida que reacendeu esperanças a sua família de que fosse libertado e trouxesse à tona a questão dos prisioneiros políticos no Egito.

LEIA: Sob pressão, Egito liberta 30 presos em custódia sem julgamento

Em outubro, Abdelfattah informou seus familiares que deixaria de beber água durante o fórum ambiental das Nações Unidas. Seu protesto atraiu solidariedade e atos em campo, no perímetro reservado ao evento internacional.

Vídeos viralizaram nas redes sociais nas quais ativistas de uma “plenária popular” entoam “Alaa Livre” durante a cúpula.

Um membro do Parlamento Europeu presente na COP27 reportou à Reuters que um segurança lhe pediu para tirar um broche com um retrato de Abdelfattah e o slogan em inglês “Free Them All” – em português, “Libertem Todos”. Após uma discussão, o congressista conseguiu entrar no evento com seu emblema na lapela.

O Ministério do Interior do Egito não comentou o caso.

Em rara declaração oficial sobre os prisioneiros políticos, a Procuradoria Pública do Egito insistiu na última semana que as condições de saúde de Abdelfattah estava “boas”, após seus parentes serem informados pelas autoridades carcerárias de uma recente intervenção médica.

Sisi chegou ao poder após um golpe militar que depôs o primeiro presidente democraticamente eleito do Egito, em 2013. O presidente e general alega que segurança e estabilidade são as suas prioridades, mas nega que haja quaisquer prisioneiros políticos no país.

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