Israel usa munição real contra protestos palestinos na Cisjordânia ocupada

Em meio a rumores nas redes sociais sobre uma terceira Intifada, forças israelenses passaram a adotar munição real contra protestos palestinos na Cisjordânia ocupada. Tensões atingiram um novo ápice nos territórios ocupados nas últimas semanas.

Jerusalém é novamente epicentro dos levantes da resistência nativa contra colonos de extrema-direita e soldados da ocupação.

A mais recente escalada decorreu do assassinato a tiros de Usama Adawi, palestino de 18 anos, por soldados israelenses, em um campo de refugiados na quarta-feira.

Desde 1948 – ano da criação de Israel mediante limpeza étnica –, os campos de refugiados na Faixa de Gaza e Cisjordânia abrigam milhões de palestinos expulsos de suas casas e aldeias para dar vazão à colonização brutal de suas terras.

Em comunicado, o Ministério da Saúde da Autoridade Palestina (AP) confirmou que a morte de Adawi resultou de um disparo deferido por um soldado da ocupação. Outros três manifestantes civis foram deliberadamente feridos a tiros em suas pernas.

LEIA: Israel envia mais da metade das suas forças à Cisjordânia ocupada

A última onda de resistência contra a expansão colonial de Israel é marcada por confrontos nos quais forças sionistas recorrem a gás lacrimogêneo e munição real. Tel Aviv alega que sua mais recente ofensiva emana da morte de um soldado em um posto de controle perto de Shuafat, em Jerusalém Oriental, no último sábado.

Não obstante, tropas ocupantes conduzem invasões em residências civis, além do fechamento absoluto de um campo de refugiados nos arredores.

Palestinos em Jerusalém Oriental e Cisjordânia lançaram uma greve geral em solidariedade aos residentes de Shuafat.

Protestos na madrugada foram marcados por violência e repressão. Soldados tentaram conter manifestantes desarmados com gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e munição real. Os atos reafirmam a indignação da juventude sob ocupação.

Ao corroborar o sentimento, as forças israelenses detiveram 23 manifestantes – ao menos metade são menores de idade.

“Estes são dias duríssimos, as pessoas estão sofrendo”, comentou Salim Anati, diretor de um dos centros de saúde do campo de Shuafat, conforme reportagem do jornal britânico The Guardian. “Temos esperança de que as coisas se acalmem, mas não há como saber”.

LEIA: Menino palestino de 7 anos é perseguido e morto por forças de Israel

“Pacientes de quimioterapia e diálise não conseguem viajar para receber tratamento”, reiterou o médico, em referência ao cerco militar israelense contra a região. “Crianças não podem ir à escola. Medidas como essa equivalem a punição coletiva”.

Segundo estimativas, o ano corrente é o mais letal na Cisjordânia ocupada desde 2015. Mais de cem palestinos – sobretudo civis – foram mortos por Israel. Outras 1.500 pessoas foram presas.

Sair da versão mobile