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OTAN do Oriente Médio deve vir a público ou ser adiada

Presidente dos Estados Unidos Joe Biden durante conferência de imprensa no último dia da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em Madrid, Espanha, 30 de junho de 2022 [Burak Akbulut/Agência Anadolu]

A chamada “OTAN do Oriente Médio” pode ser anunciada durante a viagem do Presidente dos Estados Unidos Joe Biden à região. Embora improvável, pode acontecer. De fato, sua pedra angular foi estabelecida por alguns países, sobretudo Emirados Árabes Unidos, Israel e Estados Unidos. Não obstante, ao invés de levar a proposta a público, parece provável que o anúncio formal da nova coligação seja postergado devido a ressalvas de alguns governos árabes sobre o momento de fazê-lo. Conforme a imprensa, a Arábia Saudita está entre as partes hesitantes.

Gostaria de dizer, no entanto, que um acordo sobre a aliança regional foi firmado e que seu texto preliminar está pronto. As ressalvas recaem no relacionamento com Teerã e preocupações diversas com a opinião pública árabe e islâmica. Tais questões serão abordadas no devido tempo, graças a uma cooperação de bastidores e uma paciente espera pela oportunidade mais adequada.

Endosso minha tese ao mencionar os elogios proferidos por Benjamin Netanyahu às vésperas da visita do presidente americano à Palestina ocupada. O ex-premiê israelense enalteceu Mohammed Bin Salman – príncipe herdeiro e governante de facto da Arábia Saudita – por seu papel construtivo nos Acordos de Abraão, que normalizaram relações entre o estado ocupante  e regimes árabes. Netanyahu jamais diria isso abertamente sem aval do lado oposto. Mas por que agora? Aparentemente, o político veterano deseja apoio do príncipe herdeiro durante a visita do presidente democrata à Arábia Saudita, em meio à persistente crise política no estado sionista. Netanyahu sabe muito bem, contudo, o preço a ser pago.

Biden começou sua turnê pelo estado ocupante, dado que Tel Aviv é a prioridade regional para os tomadores de decisão na Casa Branca; em seguida, está Arábia Saudita e apenas então alguns outros países. Portanto, é possível dizer que a ordem de seu itinerário tem como base a importância geopolítica outorgada por Washington. Sim, o governo de Joe Biden precisa do petróleo dos estados do Golfo, incluindo da Arábia Saudita, mas sua demanda pela presença de Israel é maior até mesmo do que petróleo. É possível dizer que a chave do reino para administrar a região repousa ainda em mãos israelenses, sobretudo seu veto referente a Teerã.

LEIA: Biden no Oriente Médio: apoio a Israel, hipocrisia com palestinos, provocação ao Irã e súplicas aos sauditas

Diversas questões controversas emergiram nos dias que antecederam a visita de Biden e os rumores de uma “OTAN do Oriente Médio”. Por exemplo: Os estados árabes realmente precisam dessa aliança? Caso precisem, por que integrar Israel? O quadro conjunto de defesa dos regimes árabes é tão ineficaz que demanda ser substituído por um ente análogo à Organização do Tratado do Atlântico Norte? Os parâmetros da Liga Árabe não são suficientes?

Do meu ponto de vista, os árabes não carecem de um novo quadro militar que abarque Israel – entidade ocupante de terras árabe-palestinas. Precisam – isso sim – reaver seus acordos viventes, solucionar problemas regionais e prestar maior atenção a questões socioeconômicas e meios de desenvolvimento.

Este artigo foi publicado originalmente em árabe pela rede Felesteen, em 13 de julho de 2022

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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