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A invasão do Líbano em 1982

Chamada de Operação Paz na Galiléia, em 6 de junho de 1982, Israel atacou por terra, ar e mar, com os objetivos de esmagar as forças da OLP instaladas no Líbano desde 1971, onde já estavam os palestinos refugiados desde a Nakba de 1948.

Um ataque ao embaixador israelense de Londres, ocorrido em 3 de junho de 1982, e atribuído por Israel a palestinos,  foi o pretexto para invadir o Líbano dias depois, em plena Guerra Civil Libanesa, que ocorria entre as várias seitas e partidos do povo libanês.

Chamada de Operação Paz na Galiléia, em 6 de junho de 1982, Israel atacou por terra, ar e mar, com os objetivos de esmagar as forças da OLP instaladas no Líbano desde 1971, onde já estavam os palestinos refugiados desde a Nakba de 1948.

Outro objetivo era tirar os sírios do país e facilitar um governo central libanês forte com o qual Israel pudesse assinar um tratado de paz de seu interesse.

Declarações posteriores tornaram claro que o então ministro da defesa, Ariel Sharon, tinha planejado a invasão muito antes do ataque ao diplomata e meses antes já havia apresentado o plano para os norte-americanos. Na realidade, a invasão e a guerra eram discutidas abertamente. Em 14 de maio, o chefe do Estado-Maior das forças israelenses, Rafael Eitan, declarou: “Tendo construído uma máquina militar que custa bilhões, devo colocá-la em uso… Amanhã, talvez, eu esteja em Beirute”.

Apesar de originalmente afirmarem que avançariam apenas 40 km da fronteira, até a rodovia Beirute-Damasco, para isolar a Síria do Líbano, as forças israelenses rapidamente chegaram a Beirute, sitiando a capital, para expulsar a OLP e instalar um governo cristão maronita pró-israel.

As forças israelenses sitiaram a área onde estava a sede da OLP, cercando o oeste de Beirute, e bombardearam a cidade por dez semanas em uma tentativa de forçar a rendição dos palestinos.

No fim de junho, os invasores, de acordo com o Financial Times, eram ao menos 90 mil soldados, mais de mil tanques, centenas de canhões e aviões e navios de guerra. Enquanto os combatentes palestinos e libaneses somavam cerca de dez mil. As imagens dos bombardeios, com civis presos na Beirute sitiada, circularam o mundo e prejudicaram a imagem de Israel.

Em 19 de agosto, após um acordo mediado pelos Estados Unidos, a OLP concordou em sair de Beirute e os combatentes partiram em direção à Tunis,  sob proteção internacional, que também deveria garantir a segurança de refugiados palestinos que permaneceram na cidade.

No mesmo mês, o aliado de Israel, Bashir Gemayel, foi eleito presidente no Líbano, mas foi assassinado em 14 de setembro, dias depois da saída da força internacional.  No dia seguinte, o exército israelense ocupou Beirute Ocidental e permitiu que milicias falangistas libanesas, que acusavam palestinos pelo assassinato, entrassem nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila. Entre os dias 19 e 20 de setembro, milícias promoveram uma carnificina, assassinando mais de dois mil palestinos, enquanto soldados israelenses os cercavam para evitar que fugissem. As forças israelenses foram consideradas indiretamente responsáveis pelo massacre e Sharon foi obrigado a renunciar ao cargo de ministro.

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