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Jerusalém pertence aos palestinos

Palestinos agitam bandeiras nacionais e islâmicas dentro da Al de Jerusalém -Complexo da Mesquita de Aqsa após as orações da terceira sexta-feira do mês sagrado muçulmano do Ramadã, em 22 de abril de 2022 [Ahmad /Gharabli/AFP via Getty Images]

Muçulmanos do mundo inteiro vivenciam neste período o sagrado mês do Ramadã, o nono mês do calendário islâmico, mês do jejum para mais de dois bilhões de fiéis espalhados por todas as regiões do planeta. A última sexta-feira do mês é a data que se comemora o Dia Mundial de Al-Quds, que é o nome árabe da cidade palestina de Jerusalém.

A data foi instituída pelo líder máximo, político e espiritual da Revolução patriótica, popular e islâmica do Irã, o Ayatollah Khomeini, para demonstrar que a causa palestina é uma questão internacional, de soberania e de direitos humanos. Este ano de 2022, a data é comemorada no dia 29 de abril. Ele fez um chamado ao mundo, convidando a todos que querem justiça no mundo, que tenham a última sexta-feira do mês sagrado Ramadan como “Dia de Al Quds” e para proclamarem em manifestações de solidariedade internacional, o apoio aos direitos legais do povo palestino.

A questão de libertação da Palestina é de grandeza universal. Desde a Resolução 181, de 28 de novembro de 1947, da Assembleia Geral da ONU aprovou o plano de partilha da Palestina, e decidiu sobre a internacionalização de Jerusalém, o estado sionista descumpre TODAS as Resoluções da Assembleia Geral, do Conselho de Segurança e da UNESCO. Israel sabe que, do ponto de vista do Direito Internacional, da Carta das Nações Unidas e das dezenas de Resoluções da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU, Jerusalém não lhe pertence.

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Jerusalém é parte integral da Palestina e seus vínculos são comprovadamente milenares. Os judeus jamais dominaram Jerusalém por um tempo considerável. A insistência de Israel em tornar Jerusalém a “capital unificada” da ocupação e do apartheid sionista na Palestina viola o Direito Internacional e as diversas Resoluções da ONU. Como é possível que um punhado de colonizadores europeus, utilizando uma suposta razão religiosa, invada, saqueie, mate os verdadeiros donos da terra, utilizando a falsa justificativa de estarem ungido por um suposto mandado divino?

Al-Aqsa permanecerá no coração dos palestinos – Charge [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

É necessário apelar para a história para que este suposto pertencimento de Jerusalém aos judeus seja desmistificado. A Cidade Santa foi fundada por volta do ano 3000 a.C., pelos jebuseus, um subgrupo cananeu, numa das melhores localizações da Palestina, em um planalto nas montanhas da Judeia entre o Mediterrâneo e o mar Morto. Líderes das três religiões monoteístas já governaram a Cidade Santa, uma vez ou outra.

Os judeus dominaram a cidade por curtos períodos, quando David tomou e dominou Jerusalém por um período de 7 anos, ao longo de sua história de mais de seis mil anos. Jerusalém foi, então, denominada de “Cidade de Davi” no período de 1010-1003 e de 1003-970 a.C., durante o denominado Reino Unificado de Israel e Judá. David foi sucedido por seu filho Salomão, que governou por 33 anos. Naquele período, os israelitas eram uma força de ocupação e os judeus admitem que obtiveram o controle de Jerusalém por meio de uma guerra contra o poderoso povo da Palestina.

Os cristãos também tiveram domínio sobre a cidade, durante cerca de 400 anos entre os séculos IV e VII e, outra vez, no século XX, quando as tropas britânicas capturaram Jerusalém em favor dos seus aliados, após o acordo que desligou a Palestina do Império Turco Otomano, quando a Palestina ficou sob a administração do governo britânico por Mandato concedido pela Liga das Nações, no período de 1922 a 1948.

Os muçulmanos, árabes e turcos, governaram a cidade por doze séculos – de 638 a 1917 ininterruptamente – excetuando o período que a cidade foi a capital do reino latino de Jerusalém, sob o governo do imperador romano Públio Aelius Adriano, de 73 a 138 d.C.

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Durante sua longa existência, Jerusalém foi destruída pelo menos duas vezes, sitiada 23 vezes, atacada 52 vezes e capturada e recapturada outras 44 vezes. As diversas Resoluções das Nações Unidas e o Direito Internacional definem o status de Jerusalém como uma cidade sob ocupação, não reconhecendo a soberania do chamado Estado de Israel em qualquer parte de Jerusalém. Ela continua a ser a capital histórica e milenar da Palestina.

Senão vejamos: a resolução 303, de 9 de dezembro de 1949, proclamou a internacionalização de Jerusalém e a sua administração pela ONU. Como uma afronta às Nações Unidas e à comunidade internacional, dois dias após a aprovação daquela Resolução e dando seguimento à sua política colonialista de transformar Jerusalém numa cidade judaica, “Israel” declarou Jerusalém sua capital e mudou a sede do governo para lá, adulterando a história em benefício de sua planos de limpeza étnica, negação histórica e cultural da Palestina. Também proibiu a menção à palavra Palestina ou história árabe-islâmica nos currículos escolares.

Já a Resolução 478 do Conselho de Segurança da ONU, de 20 de agosto 1980, declarou nula de efeitos por ser uma violação do Direito Internacional a chamada “Lei Básica de Jerusalém, Capital de Israel”, através da qual o Knesset declarava Jerusalém como sua capital. E convidou os Estados Membros a retirar suas missões diplomáticas da Cidade Santa.

Apesar de todo esse aparato, movido ao custo de muitos milhões de dólares e promessas de negócios e vantagens, a vida dos ocupantes não tem sido fácil. A imagem do regime sionista na opinião pública mundial encontra-se pior a cada dia. E isso se deve, em grande medida, ao Movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções – o BDS – contra as empresas e negócios dos ocupantes e aos esforços da resistência palestina em todo o mundo.

A libertação da Palestina e sua capital Jerusalém é uma causa essencialmente humanitária. Desde 1948, milhões de palestinos foram expulsos de suas casas, terras e locais de vida e trabalho. Milhares foram assassinados. “Israel” age em desacordo com o Direito Internacional, ameaça e viola os direitos dos palestinos, como os ataques das forças de ocupação contra as santidades muçulmanas e cristãs de Jerusalém, que foram atacadas covarde e criminosamente nos últimos dias, atingindo muçulmanos e cristãos durante seus rituais sagrados do Ramadã e Páscoa.

As forças policiais de “Israel” atacaram violentamente a Mesquita de Al-Aqsa, jogaram bombas e tentaram incendiar o seu interior; espancaram e prenderam os fiéis, não poupando ninguém, nem mulheres nem velhos e nem crianças. Fizeram o mesmo no sábado na Igreja do Santo Sepulcro, onde cristão realizavam os rituais do Sábado de Aleluia. A bestialidade foi a mesma do dia anterior.

Graças aos avanços e feitos das forças da resistência palestina, temos certeza de que, se foi possível derrotar o apartheid racista na África do Sul, por que não é possível libertar a Palestina? É dever de todas as pessoas que amam a justiça e os legítimos direitos apoiar a Intifada e a Resistência Palestina, onde quer que estejam, em qualquer parte do mundo. A libertação da Palestina e da sua capital Jerusalém é a causa mais urgente da humanidade.

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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