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Acusação de antissemitismo é cortina de fumaça para encobrir apartheid e crimes de “Israel”

Uma manifestação palestina em frente à Casa Branca durante a conferência anual American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), em Washington, EUA, em 26 de março de 2017. [Samuel Corum/Agência Anadolu]
Uma manifestação palestina em frente à Casa Branca durante a conferência anual American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), em Washington, EUA, em 26 de março de 2017. [Samuel Corum/Agência Anadolu]

Os apologistas de “Israel” usam sempre a fajuta acusação de antissemitismo contra defensores dos direitos humanos e da soberania dos palestinos. Recentemente, grupos que se autodenominam “judeus pela democracia” e a mula se cabeça chamada de “sionistas de esquerda”, aproveitaram duas situações distintas para voltar à carga com esse tipo de acusação.

Acusar alguém ou algum movimento de antissemita é uma maneira conveniente para intimidar os críticos ou para desviar a atenção dos problemas reais criados pelo apartheid israelense na Palestina. É preciso reiterar a clara distinção entre o antissemitismo, por um lado, e as críticas legítimas às políticas degradantes e opressivas de “Israel” e dos sionistas contra a resistência palestina e movimentos de solidariedade.

A mais recente vítima dessa campanha sórdida movida pelos sionistas do grupo autoproclamado “judeus pela democracia” foi a jornalista, escritora e ativista pela paz, Lucia Helena Issa, por ela ter participado de uma live na TV247 em janeiro deste ano, na qual fez um relato sobre o tráfico de mulheres, a exploração da prostituição e pedofilia por uma rede de criminosos judeus israelenses, que envolveu a morte da brasileira Kelly Fernanda Martins, de 26 anos, assassinada após denunciar a quadrilha internacional de exploração de prostituição.

Depois das denúncias que são fartamente comprovadas pela mídia israelense e brasileira, expoentes da comunidade sionista no Brasil passaram a atacar a jornalistas com acusações de “antissemitismo”, “racismo” e “negacionismo”, por ela ter tido a coragem de denunciar os envolvidos nesses crimes, não por serem judeus, mas por serem bandidos e criminosos.

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Esses donos de meias verdades não se importam em dizer quem são os semitas. As pessoas são persuadidas a crer que semitas seriam apenas os judeus, quando na verdade semitas são os adeptos das três grandes religiões monoteístas, como hebreus (judeus), árabes (cristãos e muçulmanos), assírios (cristãos) e outros povos originários do norte da Península Arábica, e não apenas os judeus ou israelenses.

O antissemitismo que se popularizou como “ódio aos judeus” é um fenômeno ligado à história europeia, e não a história dos árabes, muçulmanos e cristãos em outras regiões do mundo. O argumento sobre a existência desse “ódio aos judeus” foi utilizado pelo fundador do sionismo, Theodor Herzl, para defender o direito à autodeterminação dos judeus e à existência de um Estado nacional judaico nas terras pertencentes milenarmente a palestinos, baseado na tese fantasiosa de uma “terra sem povo, para um povo sem terra”.

Os palestinos sempre conviveram com judeus desde antes de 1948, o que atesta que a acusação de antissemitismo feita aos movimentos de resistência é uma distorção do que realmente acontece hoje, porque são os palestinos que sofrem diariamente com a violências e desrespeito à sua condição humana por parte do apartheid de supremacia judaica israelense, simplesmente por serem árabes palestinos e serem os donos da terra cobiçada pelos usurpadores judeus sionistas.

Antissionismo não é antissemitismo – Charge [Carlos Latuff]

O antissemitismo é uma das formas repugnantes de racismo dirigida a seres humanos, sejam eles judeus, muçulmanos, cristãos, de outras religiões ou mesmo sem religião, negros, pessoas de ascendência asiática, ciganos etc. Por isso mesmo, todas as formas de preconceito e racismo precisam ser confrontadas e eliminadas.

Há muitos judeus e israelenses, conscientes dos crimes praticados pelo colonialismo sionista, que se envergonham com o que “Israel” tem feito em seus nomes, o que parece não ser o caso desses tais “judeus pela democracia”, com seu falso discurso de apoio aos direitos do povo palestino, enquanto lhes negam o direito à resistência.

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O outro episódio que trouxeram à toma essa discussão e dominou o debate na mídia e nas redes sociais, foi quando o influencer digital do Flow Poadcast conhecido por Monark, defendeu o direito a existência do partido nazista no Brasil, no que foi seguido pelo deputado de direita Kim Katiguiri (DEM-SP). E logo em seguida, com o gesto de saudação nazista feito ao vivo pelo comentarista da Jovem Pan, Adrilles Jorge.

É comum os sionistas usarem os horrores holocausto ocorrido na Europa como uma indispensável e conveniente arma ideológica em seu favor nessa política de criar disfarces e deturpar fatos, quando é sabido que o movimento sionista colaborou ativamente com o nazismo, o inimigo mais feroz que os judeus tiveram, segundo escritor de origem judaica Norman G. Filkelstein, em seu livro A indústria do Holocausto.

O nazismo é uma ideologia supremacista de direita, fascista e racista, assim como o sionismo é uma ideologia racista e supremacista judaica, que pratica um regime de apartheid contra o povo palestino há sete décadas. A Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a aprovar, em 1975, a Resolução nº 3.379, que assemelha o sionismo ao racismo, com o voto inclusive do Brasil. A resolução foi revogada em 1991, por pressão do lobby judeu e do governo dos Estados Unidos.

Para os sionistas, qualquer movimento ou pessoa que defina Israel como um apartheid ou denuncie seus crimes de lesa-humanidade é antissemita. As vítimas mais frequentes são o Movimento de Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS) a Israel; ONGs de direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch (HRW), políticos, acadêmicos, movimentos antissionistas, e até a Agências das Nações Unidas, como UNRWA e UNICEF.

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Para refletir: sendo o sionismo uma ideologia supremacista de direita e racista, parece factível haver, no seu interior, um posicionamento de “esquerda” ou “democrático”? Essa é uma enorme contradição que os grupos autodenominados de “sionista de esquerda” e “judeus pela democracia” têm que enfrentar para defenderem essa ideologia e cerrarem fileiras com os apologistas das políticas de “Israel”.

É necessário que se faça uma clara distinção entre o antissemitismo e as críticas legítimas às políticas do apartheid de Israel contra palestinos. As forças da resistência palestina, bem como os movimento e pessoas solidarias à luta do povo palestino são frequentemente acusados de antissemitismo pelos apologistas de Israel. A luta que se trava em diversas frentes e sairá vitoriosa é contra apartheid e o projeto colonial de supremacia judaica, e não contra os judeus porque são judeus.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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Expulsão dos Palestinos, O conceito de 'transferência' no pensamento político sionista (1882-1948)
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